Cesare Battisti foi detido pela Polícia Federal na fronteira do Brasil com a Bolívia, na cidade de Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Atualmente, os policiais estão analisando a situação do italiano.

Ele estava tentando atravessar a fronteira para a Bolívia carregando uma quantia não declarada superior a 10 mil reais em dinheiro, segundo a Polícia Federal. Os federais querem saber o que ele pretendia fazer com a quantia no país vizinho.

Entenda a história de Battisti

Nos anos de 1977 a 1979, o ex-ativista Cesare Battisti cometeu quatro homicídios pelos quais foi condenado à prisão perpétua na Itália.

Na época, Battisti alegava ser inocente pelos crimes. Entretanto, no ano de 1979, foi detido em Milão para ser investigado pelo crime de assassinato contra um joalheiro.

Aproximadamente três anos depois, ele foi condenado a 12 anos e 10 meses de prisão por fazer parte de um grupo armado e por ocultamento de armas.

Todavia, escapou e fugiu para a França e, posteriormente, para o México.

Em 1985, François Mitterrand, presidente da França naquele momento, deu a sua palavra dizendo que não iria extraditar Battisti para a Itália caso ele retornasse. Depois, Cesare acabou retornando ao país e se tornou um escritor.

Diversas foram as tentativas da Itália para a Extradição dele, contudo, todas sem resultado, sendo mantida a palavra de François.

Apenas no governo de Jacques Chirac - presidente da França de 1995 a 2007 - a posição sobre esse assunto mudou e, em outubro de 2004, foi concedida a extradição de Battisti para a Itália, causando revolta de diversos franceses que o defendiam.

No calor do momento, Cesare Battisti fugiu para o Brasil, e foi detido em 18 de março de 2007 no Rio de Janeiro.

Na época, o Supremo Tribunal Federal aprovou a solicitação italiana para a extradição de Battisti, mas deixou o pedido para o presidente da República, que na época era Luiz Inácio Lula da Silva.

A decisão realizada pelo presidente foi a não aprovação do pedido, o que causou grande repercussão mundial e repulsa pelos jornalistas italianos. Além da negação do pedido de extradição, foi concedida a Battisti a concessão de refúgio político no país, realizada pelo ministro da Justiça Tarso Genro, fundamentando a atitude em "temor de perseguição por opinião pública".

Em 2011, o STF arquivou uma das reclamações ajuizadas pelo governo italiano, tendo Cesare Battisti a sua soltura declarada.

Nos dias de hoje, a defesa de Battisti declara que diversas tentativas do governo italiano foram realizadas (muitas delas ilegais) a fim de realizar a extradição do ex-ativista, que por mudanças no Poder Executivo, pode vir a ser aprovada em breve.

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