Imagine você procurar ajuda em uma igreja evangélica e acabar sendo alvo de um aproveitador. Parece até mentira, mas um pastor da Ministério Igreja Paz e Amor foi acusado de se aproveitar de um fiel em condições parecidas ao regime de escravidão.

Tiago Conceição Viana foi resgatado de um templo da igreja Paz e Amor, em Sorocaba, no interior de São Paulo. Segundo o Ministério Público Federal, Tiago trabalhava de forma exaustiva em troca de alimentos e moradia.

O homem foi encontrado dormindo no chão, em meio de baratas mortas, e trabalhava das 8 da manhã até às 22h30 da noite. Durante o dia, Tiago trabalhava em um restaurante da igreja e a noite continuava trabalhando para o pastor Eliseu Rodrigues em outras funções.

Eliseu Rodrigues foi autuado por manter Tiago em situação semelhante ao regime de escravidão. Como punição, foi determinou que o pastor pagasse uma multa de R$ 21 mil, indenização trabalhista no valor de R$ 1,7 mil e ainda responderá a processo na Justiça Federal.

Tiago tenta recomeçar a vida após o ocorrido, mas afirma que ainda se sente vítima da situação. Segundo ele, fiéis da igreja em que foi mantido como escravo o perseguem. Desde então, ele tem sofrido de depressão e pensou até em cometer suicídio.

Pastor nega manter fiel como escravo

O pastor da igreja se diz injustiçado e nega as acusações, Eliseu afirma que nunca coagiu Tiago a nada e disse que ele ficou hospedado na igreja de forma improvisada.

Eliseu Rodrigues revelou ainda que pediu os R$ 1,7 mil pagos a Tiago de volta. Segundo ele, o rapaz precisa usar o bom senso e devolver o valor, que será usado para pagar o aluguel da igreja. O pastor entrou na corregedoria do Ministério do Trabalho com uma representação contra os fiscais que o autuaram.

Ainda sem emprego, Tiago envia diversos currículos a diversas empresas, porém, ainda não obteve êxito. O caso de Tiago não é o único caso de escravidão em pleno século 21. Em diversos locais espalhados pelo Brasil e pelo mundo, pessoas são escravizadas a todo o momento. A diferença é que hoje em dia as vítimas não são forçadas a nada, elas são sutilmente induzidas pouco a pouco a trabalharem em condições de exploração.

Geralmente quem comete este crime busca por pessoas que moram em um local distante, oferecem transporte, moradia e alimentação, convencendo, assim, a vítima necessitada de que será um bom negócio. No entanto, ao chegar ao local, essas pessoas constatam que nada do que foi prometido é verdade, percebem que estão endividadas com o tal "patrão", e que as instalações oferecidas são precárias.

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