Segundo o site Bonde News, o ator Otávio Pelisson foi agredido no domingo (26) em uma situação de homofobia. Ele está participando um curta-metragem e estava a caminho do bar Valentino, onde iria gravar algumas das cenas. No entanto, ao chegar aos arredores do Terminal Urbano de Londrina, no Paraná, dois homens xingaram o ator e o agrediram com vários socos.

O ator estava participando de um curta-metragem intitulada “Passo Cruzado”, filme que é uma produção independente em parceria com a Faculdade Pitágoras e dirigido por Vivian Campos.

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Na obra, Otávio Pelisson fazia o papel de um drag queen.

No seu dia a dia, o ator costuma andar maquiado e de unhas postiças, mas, como iria interpretar um drag queen, estava usando uma maquiagem um pouco mais carregada. Ao chegar ao terminal de Londrina, Otávio começou ouvindo as piadas dos dois homens.

Ele disseram que aquilo “não era coisa de homem” e aconselharam o ator a “virar macho”. Depois o pior aconteceu. Ele foi empurrado pelas costas e agarrado pelo braço por um deles, enquanto que o outro lhe dava vários socos na barriga, costela e estômago.

Quem conseguiu parar com a cena de agressões foi uma senhora, que no momento se aproximou e socorreu Otávio Pelisson batendo com um guarda-chuva nos agressores, que foram embora como se não tivesse acontecido nada.

Por conta do ataque, o ator não gravou a cena e foi para casa dos pais sem registrar a ocorrência. Entretanto, a diretora Vivian Campos diz ter ficado prejudicada, uma vez que a cena em que o ator agredido entrava teve de ser cortada.

A diretora afirmou ter ficado chocada depois de saber o que aconteceu e por ter sido apenas necessária a utilização das unhas postiças e de alguma maquiagem para alguém ter sido vítima desse tipo de preconceito.

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Vivian Campos disse que é impensável chegar a 2017 e ainda ver esse tipo de intolerância acontecendo.

Sobre não ter registrado o boletim de ocorrência, Otávio Pelisson afirmou que não o fez por ter medo de sofrer retaliações por parte dos agressores. Como a homofobia ainda não é crime, o acontecimento seria registrado como uma agressão simples. Na opinião do ator, não foi isso que aconteceu. Para ele, o que ocorreu foi um caso de preconceito.

Entretanto, Vinícius Bueno, um ativista do Fórum LGBT de Londrina, declarou que não foi a primeira vez que aconteceu um ato de homofobia naquele terminal de transportes.

Ele contou que já foi ameaçado por um funcionário e denunciou a existência de um “poder paralelo naquele lugar em que os seguranças são despreparados.”