Foi um ano cheio de polêmicas, emoções e diversos capítulos que muitos brasileiros – e, principalmente, vários políticos – preferiam esquecer. Chegando ao seu último dia neste domingo, dia 31, 2017 se encerra como um ano repleto de escândalos políticos que por pouco não derrubaram mais um presidente e vitaminaram as disputas ideológicas para a corrida eleitoral de 2018 que culminará na eleição de senadores, governadores e do cargo mais cobiçado da política brasileira, o de Presidente da República.

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Atual ocupante da cadeira mais importante de Brasília, Michel Temer (PMDB) teve um ano com altos e baixos digno de uma das famosas montanhas russsos do parque Walt Disney.

Após iniciar o ano prometendo recuperação econômica e a aplicação das suas sonhadas reformas, Temer encerra 2017 com alguns poucos motivos para celebrar e muitos para se lamentar. Mesmo tendo conseguido aprovar a reforma trabalhista, Temer viu sua outra menina dos olhos, a reforma da Previdência, ter sua votação adiada para fevereiro de 2018.

O caminho dos objetivos traçados pelo presidente poderia ter sido mais simples não fosse aquele que se tornou talvez o maior escândalo político do ano: a divulgação das gravações telefônicas do empresário Joesley Batista, da JBS, que em maio fechou acordo de delação premiada com o Ministério Público e quase derrubou o presidente e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), implicados no esquema de pagamento de caixa dois praticado pela empresa do setor frigorífico.

Salvos por manobras políticas, Temer e Aécio viram suas reputações serem destruídas. O primeiro se salvou de duas denúncias da Procuradoria-Geral da República (PGR) mas viu sua popularidade despencar, enquanto o segundo também salvou seu mandato no Senado [VIDEO], mas passou de postulante à presidência a persona non grata no próprio partido. Além do escândalo do caso Joesley, Temer também sofreu um duro golpe quando um de seus principais aliados, o ex-ministro Geddel Vieira Lima, teve seu “bunker” com R$ 51 milhões descobertos em Salvador. Preso, Geddel se tornou um dos símbolos da desconfiança da população em relação ao governo do peemedebista.

Se o ano do governo foi tortuoso, o de seu principal partido de oposição também não foi dos mais agradáveis. Condenado em primeira instância a nove anos e meio de prisão pelo juiz Sérgio Moro, responsável por julgar o caso do famoso “triplex”, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou 2017 para tentar voltar a mobilizar a grande base popular de seu Partido dos Trabalhadores (PT) e para tentar viabilizar sua possível candidatura para a presidência no ano que vem.

Com julgamento em segunda instância marcado para o dia 24 de janeiro, Lula também deve ter um 2018 repleto de emoções, atuando como um dos nomes mais importantes da corrida eleitoral, seja como candidato ou como o mais valioso cabo eleitoral do país. O julgamento também ocorrerá exatamente um ano após a morte da ex-primeira dama Marisa Letícia, que faleceu no início de 2017.

Outro duro golpe para Lula em 2017 foram as declarações de seu ex-ministro e companheiro de partido, Antônio Palocci, que tentou negociar uma delação premiada, mas acabou condenado a 12 anos de prisão por seu envolvimento em esquemas de corrupção.

No Congresso, o ano foi novamente movimentado. Aprovada em outubro, a nova reforma eleitoral que entra em vigor já em 2018 autorizara a criação de um fundo público de financiamento de campanhas, uma espécie de resposta dos parlamentares aos sucessivos escândalos provenientes dos casos de corrupção de empresas como a JBS e a empreteira Odebrecht, que admitiram bancar custos de campanha dos mais diversos políticos das mais variadas esferas e partidos.

O ano contou também com diversos pré-candidatos à presidência iniciando suas campanhas e tentando fomentar suas bases eleitorais. Praticamente certos na corrida do ano que vem, o ex-ministro Ciro Gomes, o deputado Jair Bolsonaro, o atual ministro da Fazenda Henrique Meirelles e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, foram alguns dos nomes que movimentaram os noticiários já vislumbrando a disputa que se aproxima. Alckmin, por sinal, teve um final de ano mais atribulado que o dos concorrentes, após a divulgação da Odebrecht de que teria praticado cartel durante os governos tucanos no estado, incluindo aí os mandatos do atual governador.

Motivadora de calorosas discussões nos últimos anos, a Operação Lava Jato – considerada a maior investigação já realizada contra esquemas de corrupção da história do Brasil – chega ao fim de 2017 com a sensação de desacelero e previsão de capítulos finais em 2018. Com grande parte dos processos já encerrados ou sendo analisados por instâncias superiores, a “República de Curitiba” deve perder espaço nos noticiários do próximo ano, que promete ser ainda mais emocionante com a corrida eleitoral e calorosos debates ideológicos e sociais. Aguardemos.