O Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, localizado na Região Metropolitana da capital do estado de Goiás, voltou a registrar uma nova Rebelião nesta sexta-feira, dia 5.

Realizada na Penitenciária Odenir Guimarães, esta é terceira rebelião registrada no local neste ano. Anteriormente, a Colônia Agroindustrial do Regime Semiaberto, também localizada no Complexo, já havia registrado duas rebeliões também em 2018. Uma delas, ocorrida no dia 1o de janeiro, deixou 9 detentos mortos e 14 feridos.

Segundo nota da Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP), o motim desta sexta-feira foi controlado após a entrada do Grupo de Operações Penitenciárias Especiais (Gope) e da Polícia Militar (PM) no local.

As informações foram veiculadas pelo Portal G1, da TV Globo.

De acordo com a reportagem, a rebelião eclodiu nos fundos da penitenciária por volta das 4h30 da madrugada desta sexta-feira, e tiros chegaram a ser ouvidos no local. Oficiais afirmaram que a rebelião foi rapidamente identificada e controlada. As autoridades afirmaram que o motim desta sexta-feira não deixou mortos ou feridos.

Disputa entre facções e fugas de presidiários

Primeira rebelião do ano, o motim registrado no dia 1o de janeiro causou pânico no Complexo Prisional. Segundo informado pela Superintendência Executiva de Administração Penitenciária (Seap), a situação na Colônia Agroindustrial do Regime Semiaberto começou após presidiários da ala C terem invadido celas das alas A, B e D, onde estão presos de facções rivais.

Um princípio de incêndio foi registrado no local, que contou também com a presença dos bombeiros para controlar a situação. De acordo com a Seap, 106 presos fugiram durante a rebelião, mas 29 foram recapturados posteriormente. Outros 127 também teriam deixado o Complexo Prisional, retornando voluntariamente após o fim da rebelião e o controle da situação.

Segundo um relatório de inteligência da SSAP obtido pela reportagem do portal UOL, a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) estaria por trás das rebeliões. De acordo com o documento, o PCC – uma das maiores facções criminosas do país – possuí mais de 500 membros apenas no estado de Goiás.

Ainda de acordo com o UOL, o PCC estaria mudando suas regras para a aceitação de novos membros visando alcançar a marca de 40 mil filiados em todo o país. A medida seria parte da estratégia de intensificar suas forças e vencer a disputa que vem sendo travada há alguns meses com o Comando Vermelho (CV), outra das mais temidas facções criminosas do Brasil.

No ano passado [VIDEO], em fevereiro de 2017, a mesma Colônia Agroindustrial do Regime Semiaberto registrou uma rebelião, quando cinco detentos foram mortos e 35 ficaram feridos, também em virtude de disputas entre facções rivais, que desde o ano passado tem motivado sangrentas disputas dentro e fora dos presídios do país.

Segundo especialistas em segurança pública, as disputas e rebeliões também estariam sendo motivadas pela falta de condições carcerárias, bem como do inchaço do Sistema prisional brasileiro. Segundo investigações de autoridades locais, as rebeliões registradas em Goiás até o momento teriam como motivação principal a disputa entre o PCC e o CV.

Após os incidentes, o governo de Goiás também afirmou que colocará em prática uma série de medidas para lidar com a crise carcerária do estado. Elas incluem a contratação de 1,6 mil novos vigilantes temporários, bem como mudanças em leis que buscam oferecer mais controle às direções dos presídios e complexos penais. As informações foram veiculadas pela Agência Brasil.