Uma auditoria realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU) divulgada nesta quinta-feira, dia04 de janeiro, aponta que milhares de famílias brasileiras receberam o benefício do programa Bolsa Família com informações cadastrais omitidas e até falsificadas.

Prejuízo chega a R$ 1,3 bilhão

Em uma estimativa realizada, a CGU aponta que quase 346 mil cadastros estão recebendo o benefício em condições suspeitas.

O número representa 2,5% dos beneficiados pelo Bolsa Família e R$ 1,3 bilhão pagos irregularmente em dois anos, segundo a auditoria da CGU. O número é alarmante tendo em vista a importância do programa em relação às famílias mais carentes do país.

Na investigação da fraude a CGU comparou as declarações do cadastro único do Programa Bolsa Família com a base de outros dados oficiais, identificando indícios de pagamentos indevidos para famílias que não se enquadram no programa.

Esses beneficiados receberam valores acima dos permitidos pelo programa, que são de até R$ 85 por pessoa (famílias de extrema pobreza) e de R$ 85 a R$ 170 (inscritos que recebem o Bolsa Família regular).

Foram mais de 346 mil cadastros

Ao final da investigação, os números surpreenderam. Foram apontadas 296.940 famílias com renda declarada de meio e um salário mínimo; 34.876 com renda declarada de um e 1,5 salário mínimo; 8.855 com renda declarada de 1 ,5 e dois salários mínimo e 5.235 com renda declarada maior que dois salários mínimo, somando um total de quase 346 mil famílias recebendo irregularmente o benefício.

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Os dados também são divulgados por estados. Os que mais estão recebendo o benefício irregular são: São Paulo, com 58.725 (17%); Bahia, 39.759 (11,5%); Rio de Janeiro, 29.566 (8,5%); Pernambuco, 26.839 (7,7%); Minas Gerais, 25.566 (7,3%) e Maranhão, 16.939 mil (4,9%).

A CGU informou que tomará providências

A CGU informou que irá aperfeiçoar os processos no ato de cadastramento no programa Bolsa Família.

Será utilizado um cruzamento de informações no momento do registro, associadas as informações junto aos municípios para confirmar os dados prestados pelos interessados.

A CGU espera que esse processo diminua o número de declarações inverídicas. O MDS (Ministério do Desenvolvimento Social) ressaltou que irá realizar a instalação de processos administrativos para ressarcimento dos valores pagos indevidamente fora das regras do programa, priorizando de acordo com critérios de gravidade e relevância material.

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