É apenas uma "senhora" imagem feita pelo fotógrafo Lucas Landau. Do lado de cá, um profissional e sua câmera. Do lado de lá, é só um garoto fascinado com o show de luzes e explosões de fogos de artifício no Rio de Janeiro na virada do ano. Mas será que é isso que a imagem está revelando a você?

Não, talvez não. Do lado de lá pode estar, segundo seu pensamento, um pretinho pobre que não teve ceia de Natal, tampouco de Réveillon.

Um menino negro que devia estar vagando pela areia da Praia de Copacabana, sem destino, porque não tem família ou simplesmente porque desceu o morro para ver a festa da elite brasileira.

Lucas Landau estava a trabalho registrando imagens da virada do ano em Copacabana. Fotojornalismo vai além de simples cliques e ele fez a sua parte: flagrou o momento exato em que o menino de 9 anos paralisa-se para assistir à queima de fogos mais famosa do país.

Enviou a imagem à agência Reuters e ela viralizou com as piores interpretações possíveis.

Houve quem o atacou, dizendo que ele "não deveria lucrar com a foto de um garoto negro, miserável e abandonado na praia", mas há também quem sugeriu que a foto reflete a exclusão social brasileira. Para um mesmo registro, centenas de legendas e interpretações equivocadas, em sua grande maioria.

Se o protagonista fosse branco, loiro, essa foto teria viralizado?

E as interpretações? Haveria tantas demonstrações de indignação com o "descaso" das pessoas, à beira da praia, ignorando a presença da criança na água?

O fato de ser negro e estar sem camisa, no mar, não denuncia o status social em que aquele menino está inserido. Não se pode afirmar que está sujeito ao abandono.

Vestimos, hipocritamente, a camisa da luta racial, fingimos ser antirracismo quando, na realidade, somos radicalmente racistas, não há como negar.

Se, num primeiro momento, seu olhar levou ao seu cérebro a imagem de um menino entregue à própria sorte, em situação precária por ser negro, admita, você é racista. E não se culpe por isso. É uma questão cultural que não mudará tão cedo. Admita: "eu sou racista". Até porque, nós somos de maioria racista. É isso.

“O problema não é a foto, é a interpretação dela, do seu contexto. As pessoas que olham aquela foto estão pré-condicionadas a entender que a imagem de uma pessoa negra é associada à pobreza e abandono, quando, na verdade, é só uma criança negra na praia.

Essa precondição é racismo estrutural, que vem da má educação do povo brasileiro sobre ele mesmo”, afirma Anderson França, escritor.

Não perca a nossa página no Facebook!
Leia tudo