A operação realizada por 3,200 Fuzileiros navais aconteceu nessa sexta-feira, dia 23 de fevereiro, na região da Zona Oeste do rio de Janeiro, nas comunidades da Vila Kennedy, Vila Aliança e Coreia. Todos os moradores que precisassem sair de casa eram parados e fotografados junto com seus documentos de identidade e somente depois eram liberados.

A ação dos militares consistia no envio e verificação dos dados de cada morador junto à Secretária Estadual de Segurança Pública. A ação buscava por criminosos foragidos da Justiça.

Em nota, o Comando Militar do Leste informou que este procedimento agilizaria na checagem dos moradores, ajudaria na prisão de bandidos e que, após o envio e averiguação das informações, as fotos eram apagadas.

Especialistas afirmam que a ação não tem amparo legal

O presidente da Comissão de Segurança Pública da OAB/RJ (Ordem dos Advogados do Brasil), Breno Melaragno, disse que não existe legalidade no procedimento adotado pelos militares. Já o Coordenador de Núcleo de Defesa do Direitos Humanos da Defensoria Pública, Daniel Lozoya, afirmou que os fuzileiros poderiam pedir os documentos, e a população fica obrigada a apresentar.

Porém, ninguém pode ser forçado a tirar fotos.

Um dos primeiros resultados com a presença da polícia nas comunidades do Rio foi sentido na Baixada Fluminense, com a migração inicial de muitos bandidos. O que parecia ser o início de mudanças para uns tornou-se um pesadelo para outros.

O que tem chamado bastante a atenção durante as operações dos militares foi a relatos de inúmeros moradores sobre o fracasso das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Elas foram criadas em dezembro de 2008 com a finalidade de estreitar os laços entre cidadãos e estado e abandonar de vez o sistema de confronto entre policial e bandido.

O intuito era de promover não apenas segurança, mas acessibilidade e investimentos em áreas como saúde, transporte, educação etc. Durante a ação na comunidade da Vila Kennedy, militares foram surpreendidos por condições degradantes. O exemplo disso foi um bueiro entupido de lixo, que dificultou bastante todo o trabalho da tropa.

O que acontece na maior parte das favelas supostamente pacificadas pelas UPPs nos dias de hoje é o total descaso. Tudo voltou ao normal ou piorou, de acordo com os relatos de moradores.

Os índices de criminalidades subiram drasticamente e não aconteceram evolução em outros pontos tão importantes.

Não perca a nossa página no Facebook!
Leia tudo