O empresário Joesley Batista, da multinacional JBS, deixou na noite desta sexta-feira, dia 9, a carceragem da Polícia Federal (PF) em São Paulo, onde estava preso desde 10 de setembro do ano passado [VIDEO]. Além de Joesley, também foi solto nesta sexta o ex-executivo da JBS, Ricardo Saud, que estava detido no Complexo Prisional da Papuda, em Brasília. A soltura de Joesley e de Saud foi determinada após decisão do juiz Marcus Vinícius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal de Brasília.

Em sua decisão, Reis Bastos classificou a manuntenção da prisão de Batista como “flagrantemente aviltante ao princípio da razoável duração do processo”, cuja instrução criminal deveria durar 120 dias.

As informações são da Agência Brasil e do portal G1.

Joesley entrega passaporte e terá que usar tornozeleira eletrônica

Após deixar a carceragem da PF, Batista foi para sua casa, também em São Paulo. Assim como seu irmão, Wesley - liberto da prisão no último dia 19 de fevereiro -, Joesley também terá que cumprir medidas cautelares determinadas pela Justiça, como a proibição de ter contato com outros réus ou testemunhas do processo, o impedimento de assumir cargos nas empresas envolvidas nas investigações, a proibição do país e o uso de tornozeleira eletrônica. O ex-executivo Ricardo Saud também estará sujeito às mesmas sanções. Joesley e Saud também tiveram a entrega de seus passaportes determinadas pela decisão judicial.

Advogado diz que Joesley quer “ajudar a esclarecer todos os fatos”

Joesley e Wesley foram presos após terem quebrado determinações do acordo de delação premiada realizado com a Procuradoria Geral da República (PGR).

Os irmãos foram acusados de “insider trading”, quando informações sigilosas são usadas para favorecimento financeiro. Os irmãos teriam usado a divulgação da delação como manobra para lucrar no mercado financeiro e na aquisição de moeda estrangeira.

Em entrevista concedida à TV Globo, o advogado de Joesley, André Callegari, afirmou que os irmãos Batista “jamais cooptaram” ou omitiram informações à Justiça. O defensor também revelou que Joesley pretende “seguir com esse procedimento de colaborador” junto à procuradora-geral da República, Raquel Dodge. O advogado também afirma que Joesley continuará “entregando provas” e que seu cliente pretende “ajudar a Justiça a esclarecer todos os fatos pendentes” sobre o processo.

Relembre a delação de Joesley Batista

Divulgada em maio de 2017, a delação de Joesley e Wesley Batista causou um verdadeiro estardalhaço na política nacional. Isso porque, entre as informações concecidas à Justiça, Joesley divulgou gravações telefônicas que envolviam políticos como o presidente Michel Temer (MDB) e o senador Aécio Neves (PSDB-MG).

A conversa com Temer, onde Joesley afirmava estar pagando uma mesada ao ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ), quase custou o mandato do presidente, que precisou costurar acordos para se salvar das denúncias, além de tentar minizar a imensa repercussão negativa junto à opinião pública. Na gravação, Temer é ouvido dizendo que “tem que manter” o pagamento ao ex-deputado Cunha, preso durante os desdobramentos da Operação Lava Jato.

Já Aécio Neves foi gravado em ligação onde pedia mais de R$ 2 milhões para Joesley, com o intuito de bancar sua defesa na Lava Jato. O escândalo fez o senador balançar no cargo, e minou sua popularide, até então em alta após ter ficado em segundo lugar na corrida presidencial de 2014, quando perdeu a disputa no segundo turno por uma pequena margem para a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), que sofreu impeachment em meados de 2016.