Dália Celeste Hortensa da Costa, estudante do cursinho preparatório Vestibular Solidário, oferecido pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), denunciou ter sofrido agressões na sexta-feira, dia 23, quando voltava de uma festa realizada em frente ao Centro de Educação, em Recife.

Durante o evento, um aulão cultural promovido pela Diretoria LGBT da UFPE, Dália foi abordada por um homem que lhe direcionou ofensas transfóbicas após perguntar se ela era ou não mulher. Esse sujeito estaria assediando outras mulheres na festa, segundo contaram a Dália.

A estudante relatou o ocorrido à organização, que interrompeu o som e logo fez um pronunciamento acerca do ocorrido, condenando o ato do indivíduo.

Às 21h30, depois de terminada a festa, Dália caminhava em direção ao ponto de ônibus e, quando estava próxima ao Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), dois homens lhe jogaram pedras. Em seguida, a atacaram com socos enquanto a apalpavam. Um dos murros no rosto fez com que ela perdesse a visão. Felizmente, ela conseguiu fugir, lembrando-se de ainda ter ouvido que iriam "quebrar a cara dela".

Com a capacidade de enxergar prejudicada, Dália não conseguiu identificar os agressores, nem ver se alguém testemunhou o crime.

No sábado, a vítima registrou boletim de ocorrência na Central de Plantões da Capital, localizado na Zona Norte de Recife, sendo encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) para realizar o exame de corpo de delito. A Polícia Civil está responsável pela investigação do caso. Posteriormente, Dália dirigiu-se ao hospital para receber atendimento, acompanhada por um advogado membro da Comissão de Diversidade Sexual da OAB, Sérgio Pessoa, e pela coordenadora da organização Mães pela Diversidade, Gi Carvalho.

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Gi Carvalho conta que a médica que avaliou os ferimentos de Dália no hospital detectou queimaduras no rosto e nas mãos da vítima, levantando a suspeita de os agressores terem usado ácido. Além do desgaste que envolve ter de passar por todos os procedimentos legais e médicos, Gi destacou como teve de pedir, repetidamente, que Dália tivesse seu nome social respeitado, falha ainda recorrente entre diversos profissionais que atendem pessoas trans.

Ainda abalada com o ocorrido, a estudante publicou seu relato juntamente com uma foto do ferimento no olho através do Facebook.

Ela revela ainda que recebeu ameaças e agressões por escrito em seu perfil, além de uma grande quantidade de denúncias que levaram a rede social a bloquear sua página.

A Diretoria LGBT se colocou à disposição para auxiliar no processo de identificação dos suspeitos, reiterando o repúdio às agressões e a qualquer manifestação de discriminação. Na segunda-feira, dia 26, está marcado um ato em apoio a Dália e contra a Transfobia, que irá se iniciar às 14h no próprio Centro de Educação da UFPE.

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