A vereadora Marielle Franco, de 38 anos, eleita pelo PSOL com o quinto maior número de votos no Rio de Janeiro, foi assassinada na noite de quarta-feira, 14, no bairro do Estácio, região central da cidade. Por volta das 21h30, quando voltava de um evento na Lapa, seu carro foi emparelhado por outro, no qual estavam os criminosos.

Franco foi atingida com quatro tiros na cabeça e o motorista, Anderson Pedro Gomes, recebeu três tiros nas costas e também faleceu. No carro estava ainda a assessora de Franco, Fernanda Chaves, que foi atingida por estilhaços, mas passa bem.

A principal linha de investigação da Polícia Civil indica a possibilidade de a vereadora ter sido executada, hipótese enfatizada também pelo deputado estadual Marcelo Freixo.

Como mulher negra, da periferia, Marielle começou a militar pelos Direitos Humanos ainda quando frequentava um pré-vestibular comunitário na Maré e teve uma amiga morta a tiros. Formou-se como socióloga pela PUC-Rio e fez seu mestrado em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF), defendendo uma dissertação sobre a implementação das UPPs nas favelas cariocas.

Crítica da ação da Polícia Militar como um todo, atuou como coordenadora da Comissão de Defesa de Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) junto com Marcelo Freixo e estava acompanhando a intervenção federal no Rio, tendo sido nomeada relatora da comissão responsável por avaliar o processo da intervenção.

No início da semana, publicou nas redes sociais sobre o homicídio do jovem Matheus Melo, pela PM que patrulhava a favela do Jacarezinho.

Fez também denúncias sobre o 41º Batalhão, que, segundo ela, estaria aterrorizando a população da favela do Acari, que o batizou de "Batalhão da morte".

Ontem, no início da noite, Franco participou da roda de conversa "Mulheres negras movendo estruturas", que foi transmitida ao vivo pelo Facebook.

Ao comentar sobre o caso em sua página, o cientista social Luiz Eduardo Soares lembrou do assassinato, em 2011, da juíza Patricia Acioli, executada depois de condenar à prisão policiais militares ligados a milícias.

Para Soares, há possibilidade de isso ter acontecido também com Marielle. Richard Nunes, Secretário de Segurança do Estado, informou em nota que está acompanhando as investigações ao lado do chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa.

O corpo da vereadora será velado a partir das 11h na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro. Em São Paulo, o PSOL convocou um ato em homenagem e como protesto à violência no vão livre do MASP, às 17h.

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