A Justiça do Piauí condenou o médico que obrigou um garoto, na época com apenas 10 anos, a passar fezes no próprio rosto. Ele vai ter que pagar uma indenização no valor de R$ 50 mil à título de danos morais.

Como tudo aconteceu

O fato aconteceu no ano de 2015, na cidade de Acarape, norte de Teresina. A irmã de 9 anos, acompanhada do irmão mais velho, sentiu uma forte dor de barriga, não aguentou e fez necessidades em frente à casa do dentista.

Extremamente irritado e tomado por violenta fúria, o homem então obrigou o garoto a sujar o rosto com as fezes da própria irmã.

Aterrorizado, o menor teria obedecido a ordem, chegando até urinar nas calças. Testemunhas chegaram a presenciar a cena e ficaram inconformadas.

No documento anexado aos autos, as testemunhas falaram que tinham observado a vítima com o rosto limpo, entretanto, logo puderam conferir o odor das fezes na mesma.

''Ele chegou a apontar a arma pra cabeça do garoto de 10 anos'', informou na época o delegado Jorge Queiroz.

Ele foi, em seguida, autuado, mas, no dia seguinte, conseguiu pagar uma fiança de dois salários mínimos.

O caso continuou então sendo investigado pelo Delegado da Polícia Civil, mediante a coleta de informações e depoimento de testemunhas.

A sentença

''A liberdade da vítima foi tolhida'' disse a juíza Junia Maria Feitosa Bezerra, da 4ª Vara Criminal da Comarca de Teresina responsável pela sentença final.

O dentista vai poder recorrer em liberdade, mas foi estipulada uma indenização de R$ 50 mil que ele vai ter que pagar à família da vítima.

O que disse a defesa

No tribunal, a defesa do réu alegou que o ato da criança seria ''reprovável em qualquer sociedade civilizada''. Explicou ainda que a atitude do seu cliente foi apenas uma espécie de reprimenda ao dano.

Em contra-resposta, a magistrada tratou de deixar tudo muito bem claro, dizendo que de fato é errado defecar na rua, mas que a conduta foi desarrazoada e que passou dos limites do aceitável.

A juíza explicou também que a atitude do acusado feriu a defesa da vítima, já que a mesma não expunha perigo nenhum. E concluiu dizendo que tal atitude por parte do réu só serviu para denegrir a honra da vítima.

Questionada sobre a decisão, a defesa preferiu não comentar o caso.

Nas redes sociais, o assunto gerou polêmica.

Um internauta comentou: ''Achei a pena muito leve. Fazer isso com uma criança demonstra que a pessoa tem sérios problemas psicológicos.''

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