Imaginem pessoas que estão já imobilizadas pela deficiência e não podem nem sequer se mexer. Agora, imagine pessoas com essas dificuldades serem amarradas nas camas, serem imobilizadas e só terem o básico (muitas vezes, nem isso), e viverem com o mínimo, sem escolher, sem se expressar e, muitas vezes, serem tratadas à base de remédios. É o que denuncia uma ONG internacional, Human Rights Watch,em um relatório disponibilizado na internet.

Segundo a ONG, foram visitadas 8 instituições que abrigam pessoas com deficiência.

No relatório eles entrevistaram Leonardo, 25, que tem distrofia muscular – uma deficiência que traz uma fraqueza muscular gradativa e a perda dessa massa muscular –, que desde dos 15 anos morou em uma dessas instituições. Diz sua mãe, que não teve escolha ao colocar Leonardo nessa instituição. Diz ela, ainda, que sofreu muito com a ida de Leonardo a essa instituição, pois, o estado brasileiro não dá nenhuma condição para cuidar de uma pessoa com deficiência.

E, finaliza a mãe, que a única esperança que se teve foi que esse abrigo pudesse ter condições de cuidar do seu filho.

Essa experiência que Leonardo vive não é única. Esse rapaz com deficiência está entre muitas pessoas que vivem no Brasil, que passam a maior parte da sua vida, aliás, dentro dessas instituições que acolhem pessoas com deficiência. A maior parte dessas pessoas entram quando crianças, e, em muitos casos, ficam a maior parte de sua vida lá até a morte.

Não perca as últimas notícias!
Clique no tema que mais te interessa. Vamos te manter atualizado com todas as últimas novidades que você não deve perder.
Governo Saúde

O que acontece é que, muitas das vezes, essas instituições podem conter diversas maneiras irregulares em tratamento e muita desumanidade. Além de abusos, na parte da dignidade e necessidades ou as decisões dessas pessoas com deficiência. Muitos desses adultos com deficiência que vivem nessas instituições são, muitas vezes, vítimas de prisões, diante das obrigações que o Brasil tem com o direito internacional, como os pais ou responsáveis, internarem os cidadãos nessas situações, sem lhe dar o direito de não querer ir e não concordar com a decisão.

Assim, diz o relatório, o Governo brasileiro não oferece apoio para as crianças com deficiência e as famílias não podem criar elas em suas casas. Também não dá nenhum suporte para que os adultos possam viver independentemente, e sequer dando-lhes a escolha de internação por conta. Ou seja, é internar ou internar.

Objetivo do relatório da ONG

Esse relatório foi feito para documentar os inúmeros abusos contra as crianças e adultos com deficiência nessas instituições que acolhem pessoas no Brasil.

Essa pesquisa foi baseada em várias observações diretamente em visitas em 19 instituições de acolhimento. Incluindo, ainda, oito instituições de abrigo para crianças, assim como cinco casas-lares que são inclusivas para as pessoas com deficiência. Essa pesquisa foi realizada entre novembro de 2016 e março de 2018 nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e o Distrito Federal.

Ainda, segundo o relatório, a maioria dessas pessoas eram isoladas e tinham um pouco mais das necessidades básicas atendidas, como alimentação e higiene.

Nenhuma dessas pessoas tinha qualquer controle sobre sua vida. Tinham limitações, e tinham que ser submetidas a vontade dos funcionários. Muitas vezes, essas pessoas eram deixadas em uma cama, ou longos períodos de tempo, ou o dia inteiro, totalmente presas, praticamente amarradas.

Não perca a nossa página no Facebook!
Leia tudo