Há exatamente um ano, em 17 de maio de 2017, uma bomba explodiu no governo de Michel Temer (MDB). Naquela ocasião, o jornal fluminense O Globo publicou uma reportagem onde relevava pela primeira vez o conteúdo da delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS, que haviam fechado um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), então comandada por Rodrigo Janot. O escândalo abalou as estruturas do Planalto, gerando duas denúncias contra Temer e deixando sequelas que afetam o governo até hoje.

Além de Temer e de seus aliados, a delação da JBS também foi devastadora para o senador Aécio Neves (PSDB).

Derrotado no segundo turno da eleição presidencial de 2014, Neves aparecia como nome forte para a corrida eleitoral deste ano. A revelação, com direito a gravação telefônica, de que o tucano havia negociado o pagamento de R$ 2 milhões em caixa dois com Joesley arrasou com a imagem e com as chances do mineiro de chegar ao Planalto. Além disso, Aécio também responde a processo no STF por corrupção e obstrução da Justiça.

Além do senador – que conseguiu manter seu cargo graças ao apoio de seus colegas – a delação também gerou processos para nove aliados de Temer. O presidente conseguiu barrar as denúncias na Câmara graças a seu apoio parlamentar, mas pode voltar a responder pelos crimes na Justiça comum a partir de 2019, quando deixará a Presidência e perderá o foro privilegiado.

Além disso, a delação da JBS afastou de vez qualquer chance de Temer de se tornar um candidato viável à reeleição, sonho que o presidente manteve até recentemente, quando começou a jogar a toalha e tentar costurar um acordo com o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, ou ajudar a sedimentar a candidatura de seu ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que concorrerá ao cargo pelo MDB.

Ao todo, a delação premiada da JBS rendeu 91 investigações da Justiça. A delação fez parte da Operação Patmos da Polícia Federal (PF), e revelou o envolvimento de pessoas próximas a Temer em negociações ilícitas. Entre os investigados estão o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB-BA), e amigos pessoais de Temer, como o ex-coronel João Baptista Lima Filho e o advogado e ex-assessor do presidente, José Yunes.

Responsáveis pela delação, Joesley, Wesley e outros executivos da J&F, holding que controla a JBS, também acabaram em maus lençóis. Acusados de terem se beneficiado da delação para lucrar no mercado financeiro e de terem omitido parte das informações, os delatores voltaram a ser detidos e a responder aos processos na Justiça. A PGR busca maneiras de anular os benefícios concedidos no acordo junto ao Supremo, fazendo com que os delatores continuem respondendo pelos crimes que confessaram na delação.

Os irmãos Wesley e Joesley ficaram detidos por cinco e seis meses, respectivamente. Além da possível perca dos benefícios adquiridos durante a delação, os executivos da J&F também devem ter o valor a ser pago segundo o acordo de leniência aumentado.

Na ocasião, ficou acertado que a empresa pagaria R$ 10,3 bilhões à União, valor que deve ser aumentado.

Se conseguiu juntar forças para manter seu governo após a revelação do escândalo, Temer não teve poder igual para salvar sua reputação. Um ano depois, o emedebista ainda não se recuperou do pior revés sofrido por seu governo em dois anos. Com uma das taxas de popularidades mais baixas já registradas para um presidente em exercício, Temer se prepara para sobreviver à enxurrada de acusações e denúncias que seguirão no momento em que descer a rampa do Planalto.

Para evitar o impacto que os golpes da Justiça podem lhe causar, o presidente tenta usar seus últimos meses à frente do governo para tentar costurar acordos e se proteger como pode.

Um ano depois, é possível afirmar que, se a delação da JBS não foi o suficiente para derrubar Temer, foi o bastante para sepultar suas ambições políticas.

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