A Justiça retoma nesta segunda-feira, dia 7, as audiências sobre o sítio de Atibaia, supostamente atribuído ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na nova fase do processo, serão ouvidas as testemunhas de defesa, parte por videoconferência direto de São Paulo e parte presencialmente em Curitiba, no Paraná, onde o caso é julgado. As informações foram veiculadas pelo portal G1.

Atualmente preso na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba [VIDEO] pelo processo do chamado “caso do tríplex”, Lula é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro na nova ação. O ex-presidente se tornou réu em agosto do ano passado, acusado de ter recebido propina das empreteiras OAS e Odebrecht pagas através de uma reforma no sítio Santa Bárbara, localizado na cidade de Atibaia, no interior do estado de São Paulo.

Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra Lula, as reformas realizadas no sítio supostamente atribuído ao ex-presidente teriam ultrapassado o valor de R$ 1 milhão.

A defesa de Lula nega que o ex-presidente seja proprietário ou que tenha se utilizado do sítio e das eventuais reformas realizadas no imóvel. Entre as testemunhas de defesa arroladas pelos advogados de Lula estão os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), que devem ser ouvidos para falar sobre as acusações contra Lula.

Lula completa um mês preso; esquerda pena para achar candidato viável

Enquanto volta a enfrentar um processo da Justiça que pode aumentar sua pena, o ex-presidente Lula completa um mês preso no prédio da Polícia Federal em Curitiba. Se antes o clima era de resistência pela eventual libertação e confirmação da candidatura de Lula, os ânimos entre os petistas e entre setores da esquerda que veem o ex-líder sindical como principal candidato ao Palácio do Planalto começam a mudar.

Com o crescimento de candidatos de centro e direita nas pesquisas, a esquerda tenta se organizar para a disputa eleitoral, marcada para outubro deste ano. Se o PT já confirmou que não irá apoiar a candidatura de Ciro Gomes (PDT), fica a dúvida sobre qual estratégia o partido irá tomar caso se confirma a cada vez mais provável hipótese de que Lula não seja mesmo o candidato.

Candidatos de esquerda, Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela D'Ávila (PCdoB) agradam parte do histórico eleitorado petista, mas parecem não emplacar para uma disputa com candidatos com maior intenção de voto, como Jair Bolsonaro (PSL), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (REDE).

Sem o apoio do PT, Ciro tenta se viabilizar como candidato da centro-esquerda capaz de derrotar o crescente Bolsonaro ou Alckmin, que pode se unir com o MDB para aumentar o potencial da centro-direito nas eleições. Enquanto crescem as especulações, o PT continua tentando solucionar suas disputas internas sobre os rumos do partido nas eleições e enfrentar a cruzada jurídica do ex-presidente Lula.

De dentro do cárcere, o ex-presidente tem utilizado seus encontros com correligionários - como a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann; e o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner - para tentar alinhar sua defesa com as estratégias políticas do partido. Em franca queda desde o impeachment de Dilma Rousseff, em meados de 2016, o futuro para o maior partido de esquerda do Brasil na improvável eleição de 2018 continua incerto.