A paralisação dos caminhoneiros, que trouxe o caos ao país, deflagrada na segunda-feira passada (21), começou a ser desenhada bem antes. O descontentamento da categoria com o preço do diesel, o alto valor do pedágio e as péssimas condições de trabalho vem de longa data. Os sucessivos aumentos do combustível nos primeiros 5 meses do ano foram apenas o estopim para a greve.

Na noite desse sábado (26), o Jornal Nacional, da Rede Globo, exibiu reportagem na qual está comprovado que o presidente Michel Temer tinha conhecimento da intenção de paralisação geral por parte dos caminhoneiros de todo o país, uma vez que as categorias que representam a classe emitiram ofícios avisando da real possibilidade de greve.

O primeiro ofício foi enviado em outubro passado pela Associação Brasileira de Caminhoneiros ao chefe da Casa Civil, o ministro Eliseu Padilha. O documento trazia a maior das reivindicações da categoria, que as alíquotas do PIS (Programa de Integração Social), Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e da Cide (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico) fossem zeradas.

Houve uma reunião entre técnicos da Casa Civil e representantes da Associação. Entretanto, a reivindicação não foi atendida.

O segundo ofício foi enviado ao próprio presidente Michel Temer, na primeira quinzena de maio. Este, ao contrário do primeiro, continha um tom ameaçador. A associação cobrou uma atitude mais séria do Governo federal com relação às reivindicações da classe e completou indagando ao presidente: "como seria o Brasil sem transporte público por uma semana ou mais?"

Novamente o representante máximo da nação permaneceu silente.

Já o terceiro ofício se deu 5 dias antes da paralisação total dos caminhoneiros, e foi enviado pela Confederação Nacional dos Transportes Autônomos, novamente para a Presidência da República. O tom dessa feita foi de profundo lamento, uma vez que as reivindicações não foram atendidas.

A confederação alertou o governo da fragilidade econômica pela qual a classe passa e que a paralisação se faz necessária, inclusive tendo data marcada para seu início, 21 de maio de 2018.

A omissão do presidente e a promessa cumprida pelos caminhoneiros paralisam o país

O presidente Michel Temer ao não atender as reivindicações dos caminhoneiros fez ascender a fagulha que deflagrou o movimento grevista do dia 21. Com os sucessivos avisos dos representantes dos caminhoneiros o governo federal teve tempo hábil para negociar ou até mesmo se preparar para o caos.

Entretanto, o governo preferiu se distanciar dos problemas e lançar toda a responsabilidade aos caminhoneiros. Especialistas políticos afirmam que Temer não se posicionou de forma adequada e que sua conduta foi de total despreparo.

Com a paralisação e os transtornos a todos, o governo teve que se posicionar, para muitos de forma tardia, e endurecer o jogo com a classe grevista, que a essa altura ganha o apoio de grande parte dos brasileiros. A greve já dura sete dias e que tudo indica deve permanecer por mais tempo, haja vista o posicionamento coeso dos caminhoneiros que não arredam os pés.

A população brasileira aguarda pelo desfecho e espera um posicionamento mais adequado do presidente Temer que vê sua imagem Política destruída e esse desgaste tende a aumentar com esse novo episódio. Como dizem os mais velhos: "é melhor prevenir do que remediar."

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