Após anunciar um pacote de medidas para tentar atender as demandas dos caminhoneiros [VIDEO] e encerrar a greve na noite de domingo, dia 27, o presidente Michel Temer (MDB) tentou se mostrar enérgico sobre a continuidade das paralisações, que chegam ao 9º dia consecutivo [VIDEO] nesta terça-feira, dia 29. Ao participar da abertura do Fórum de Investimentos Brasil, em São Paulo, na manhã desta terça, Temer criticou a manutenção da greve, mas reafirmou acreditar que o diálogo é o caminho.

Sem citar a greve especificamente, Temer disse que “quando tentam parar o Brasil”, o governo “exerce autoridade para preservar a ordem”.

Apesar do tom enérgico, Temer destacou que quer manter o diálogo com os manifestantes. “Mas antes disso o diálogo é fundamental”, disse. “Isso é fundamental para o exercício que a Constituição determina”, completou.

Enquanto tenta demonstrar tranquilidade e aguardar o fim da crise junto ao público, nos bastidores o governo se questiona sobre os efeitos que a paralisação ainda pode causar. De acordo com a agência Estadão Conteúdo, o governo admite que subestimou o poder da crise gerada pela greve, e teme uma nova onda de manifestações como as ocorridas nas jornadas de junho de 2013.

Enquanto tentam estancar a crise e desbloquear as estradas e rodovias através de negociações, decisões judiciais e força policial, Temer e seus asseclas se preocupam com o tom político que as manifestações vêm apresentando, com discursos que pedem sua saída e até mesmo uma intervenção militar no país.

Há no Planalto o temor de que, se a crise não arrefecer, Temer possa acabar deixando o cargo antes do fim do ano, o que seria considerado uma tragédia para a manutenção do capital político do MDB.