Nomeado diretor da Dersa em maio de 2007, o engenheiro Paulo Vieira de Souza – conhecido como Paulo Preto - abriu quatro contas em seu nome no banco Bordier & Cie, em Genebra, na Suíça, apenas 43 dias após ser alçado ao cargo por indicação do então governador de São Paulo, José Serra (PSDB). A Dersa é a empresa responsável pelas obras rodoviárias no estado paulista. As informações foram veiculadas nesta segunda-feira, dia 7, em matéria do jornal Folha De S. Paulo.

Segundo informado pelo país europeu, Souza recebeu “numerosas entradas de fundos” durante os anos de 2007 e 2009. A informação foi revelada através de um documento sigiloso enviado por autoridades da Suíça ao Brasil.

De acordo com a fonte, as contas mantidas por Souza no país totalizavam 34,4 milhões de dólaresm, equivalentes a mais de R$ 120 milhões, até o começo de 2017, quando o operador transferiu os fundos da Suíça para as Bahamas, no Caribe. Paulo Preto é apontado como operador do PSDB em contratos que teriam desviado verbas de obras em São Paulo.

Souza foi detido no último dia 6 de abril em mais uma fase da Operação Lava Jato. Ele é acusado de ter desviado R$ 7,7 milhões em uma obra realizada no Rodoanel Sul. Segundo a reportagem da Folha de S. Paulo, os desvios praticados pelo suposto operador durante seus anos de atuação na Dersa podem superar os R$ 170 milhões em verbas destinadas a seis obras.

A defesa de Paulo Preto nega as acusações, provenientes de acordos de delação premiada fechados durante as investigações da Lava Jato.

Ainda de acordo com as autoridades suíças, Preto teria contas no país desde 1993, utilizando também o nome de sua esposa para realizar movimentações bancárias na Europa.

Souza também atuou como diretor de assuntos especiais do Metrô durante o governo de Luiz Antônio Fleury Filho (MDB), ocupando o cargo do início de 1991 a 1995. De acordo com a reportagem da Folha de S. Paulo, o suposto operador teria começado a atuar junto com o vice-governador Aloysio Nunes (PSDB) durante essa época.

Nunes é o atual ministro das Relações Exteriores do Brasil, e teria indicado o operador para a vaga na Dersa quando ocupava o cargo de secretário da Casa Civil de São Paulo durante o governo de José Serra. Antes, Paulo Preto já havia atuado na Dersa como diretor de relações institucionais em 2005, durante o governo de Geraldo Alckmin (PSDB), hoje candidato à Presidência da República.

Ministro, senador e defesa de Paulo Preto negam as acusações

Segundo a reportagem veiculada pelo jornal paulistano, Aloysio Nunes negou ter indicado Paulo Preto ao cargo na Dersa.

Em nota divulgada através de sua assessoria de imprensa, o ministro diz que o suposto operador foi convidado por Dario Rais Lopes, então secretário estadual de Transportes, para assumir o cargo de diretor de relações institucionais durante o governo Alckmin [VIDEO], prosseguindo na companhia durante o governo Serra.

A defesa de Paulo Preto se negou a comentar as informações contidas no documento divulgado pelas autoridades suíças. Hoje senador, José Serra também não quis se manifestar sobre a situação que envolve os supostos delitos praticados pelo operador durante seu governo.

Em nota, a Dersa negou as irregularidade, afirmando que as ações de obras comandadas por Paulo Preto foram feitas “de acordo com a lei”.

Em 2010, Souza também foi acusado de ter recebido R$ 4 milhões de verba doada por empreteiras para a campanha de José Serra à Presidência da República. Na ocasião, o tucano foi derrotado por Dilma Rousseff (PT). Na época, Serra negou conhecer Paulo Preto, afirmando que "nunca tinha ouvido falar" do suposto operador.

Mais tarde, o atual senador mudou o discurso, classificando Souza como "uma pessoa muito competente". O senador também a acusação contra o suposto operador era "injusta" e que Preto seria "totalmente inocente".