Uma reportagem publicada pelo jornal O Globo nesta terça-feira, dia 8, revelou que uma testemunha não identificada prestou depoimento à Polícia acusando o vereador Marcelo Siciliano (PHS) e o ex-policial militar Orlando Oliveira de Araújo de estarem envolvidos na morte da vereadora Marielle Franco [VIDEO] (PSOL), assassinada em março, no Rio de Janeiro.

Araújo está preso em Bangu 9 desde outubro do ano passado, acusado de chefiar uma milícia. A testemunha afirmou ainda ter sido ameçada de morte pelo ex-policial, que mesmo dentro da prisão ainda controla uma das milícias que atuam na região de Jacarepaguá. Segundo O Globo, a testemunha teria feito parte da milícia no passado.

De acordo com o depoimento do delator, a morte de Marielle [VIDEO] teria sido ordenada após a vereadora realizar ações comunitárias em áreas controladas pela milícia na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Marielle e seu motorista Anderson Gomes foram executados na Rua Joaquim Palhares, no bairro do Estácio, na Região Central do Rio, na madugada do dia 14 de março deste ano.

Segundo a reportagem publicada pelo jornal O Globo, a testemunha que implicou o vereador e o ex-policial no assassinato de Marielle e Anderson afirmou ter sido obrigada a trabalhar com Araújo, tendo participado de reuniões com a presença do vereador e do ex-policial onde a morte de Marielle foi acordada.

“Tem que ver a situação da Marielle. A mulher está me atrapalhando”, teria dito o vereador em uma das reuniões, segundo o depoimento da testemunha.

“Precisamos resolver isso logo”, teria cobrado Siciliano.

Segundo a testemunha, o vereador também se referiu à Marielle como “p*ranha do Freixo”, em alusão ao deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), conhecido por sua atuação contra as milícias do Rio de Janeiro. Marielle e Freixo atuaram juntos na CPI das Milícias, realizada na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Na ocasião, a vereadora foi assistente do deputado, que é presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj.

De acordo com a matéria veiculada pelo O Globo, o delator prestou três depoimentos à Divisão de Homicídios da polícia. Ainda segundo a reportagem, a testemunha também teria detalhado quem foram os quatro homens contratados para praticar a execução de Marielle e Anderson. Segundo ele, a ordem para o crime teria partido de Araújo de dentro de Bangu 9.

A testemunha também revelou outros detalhes do planejamento do crime, como a informação de que um homem conhecido como Thiago Macaco teria ficado responsável por monitorar a rotina de Marielle e os trajetos feitos pela vereadora da Câmara até sua casa.

Jean Wyllys se reúne com chefe da polícia e diz que cerco aos criminosos “está se fechando”

Nesta terça-feira, dia 8, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) se reuniu com o chefe da Divisão de Homicídios, Fábio Carsoso, e com outras autoridades responsáveis pelas investigações do assassinato de Marielle.

Em tom otimista, o parlamentar afirmou que a polícia já possuí informações suficientes para chegar aos assassinos e mandantes do crime. “O cerco aos criminosos está se fechando”, disse Wyllys. “Não só sobre os executores como também em relação aos mandantes”, completou o deputado.

Vereador se defende e chama acusação de “covardia”

Em nota, o vereador Marcello Siciliano classificou a notícia como “totalmente falsa” e disse que as acusações são uma “covardia”. Siciliano afirmou que Marielle era sua amiga e disse que não conhece Orlando Araújo. “Essa acusação causa um sentimento de revolta por não ter qualquer fundamento”, afirmou. Siciliano também disse desejar “ainda mais celeridade” para a resolução do caso.