Em época de Copa do Mundo, um exemplo de solidariedade praticado por meio do esporte mais popular do Brasil vem tomando conta da mídia nacional. José Edvaldo, de 42 anos, é funcionário público da prefeitura de Feijó, que fica a cerca de 363 quilômetros de distância de Rio Branco, capital do Acre, e vem dando uma aula de cidadania para todo o país.

José é gari no município e resolveu, por conta própria, custear uma escolinha de futsal no município. O projeto já tem 5 anos e atende, sem cobrar nenhum tipo de mensalidade, cerca de 80 meninos e meninas da localidade, que têm entre oito e treze anos de idade.

Val, como é conhecido na comunidade, confessa que já perdeu a conta da quantidade de crianças que já passaram por suas mãos na ''Escolinha Play''.

Conforme informações disponíveis no portal da prefeitura de Feijó, o salário de um gari no município é de R$ 1.011,57 líquido. Com esse valor, Val consegue apenas manter suas necessidades básicas, mas isso não o impediu de fazer algo em prol da comunidade onde vive.

Segundo ele, recentemente fez um empréstimo de R$ 10.000,00 para comprar bolas, uniformes e outros equipamentos necessários para as aulas de futsal que dá voluntariamente.

O montante foi financiado em um prazo de 10 anos e mensalmente o gari vê sendo descontada de seu salário uma parcela da dívida.

Val explicou que resolveu criar esse projeto com o objetivo de tirar os jovens das ruas e evitar que entrem para o mundo do crime. De acordo com ele, o esporte é um grande aliado para afastar essas crianças da criminalidade. No entanto, a boa ação pode ter lhe custado o casamento. Pai de três filhos, Val ainda paga pensão para um deles, fruto do último casamento, que, segundo ele, acabou por causa do projeto. O gari contou que investiu muito tempo e dinheiro na escolinha, e a mulher acabou o traindo.

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Depois do turno de gari, Val dá aulas de futsal para crianças carentes de Feijó

A ''Escolinha Play'' foi idealizada por José Edvaldo e financiada a partir de um empréstimo pessoal que o mesmo contraiu para a compra de materiais e uniformes. As aulas são ministradas três vezes por semana, mas quando há algum tipo de campeonato ou jogo amistoso, os treinos acabam sendo diários. Quando viajam para outra cidade para disputar algum jogo, Val relata que cobra de cada aluno uma taxa de R$ 10,00 para financiar o transporte.

O gari comenta que não costuma receber apoio para tocar o projeto esportivo e social e já passou por situações constrangedoras ao pedir ajuda. Val relatou que, certa vez, o dono de uma loja chegou a se esconder, pois o viu no local e sabia que ele ia pedir ajuda.

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