A Polícia Federal deu início, nesta quinta-feira (9) pela manhã, a execução de mandados de prisão preventiva, busca e apreensão em cidades de três estados, após investigação de grupo suspeito com envolvimento em tráfico internacional de jovens transexuais. Os criminosos aliciavam as mulheres pela internet, com a promessa de oferecerem cirurgias para feminização do rosto e redesignação genital a fim de que pudessem competir em concursos de beleza na Europa.

Investigadores descobriram que, ao chegarem à cidade de Franca, em São Paulo, as garotas eram submetidas a exploração sexual, em regime análogo à escravidão, sendo agredidas repetidamente. Ao se hospedarem em repúblicas e pensões, eram obrigadas a adquirir roupas, sapatos, perucas e outros acessórios dos criminosos. Além de financiarem os procedimentos cirúrgicos, entravam em um sistema de endividamento ao qual não conseguiam sair.

Além disso, membros do próprio grupo aplicavam silicone industrial nas vítimas e as mandavam para realizar implantação de próteses nos seios em clínicas não regulamentadas, havendo inclusive sinais de que as próteses eram reutilizadas.

As mulheres consideradas mais bonitas eram enviadas à Itália, onde também eram exploradas e forçadas a se prostituir. Pelo menos 11 moças foram mandadas ao país em 2017.

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Polícia LGBT

Foram ainda feitos anúncios de vendas dessas pessoas por 15 mil dólares. Além de Franca e da capital, em São Paulo, há indícios de que o esquema esteja ocorrendo em Leopoldina, Minas Gerais, e nas cidades de Jataí, Rio Verde, Aparecida de Goiânia e na própria Goiânia, em Goiás.

A Operação Fada Madrinha, como foi batizada pela PF, teve início em novembro de 2017, após informações, encaminhadas à polícia pelo Ministério Público do Trabalho, de que transexuais estariam sendo aliciadas pelas redes sociais.

Até o momento, foram expedidos cinco mandados de prisão e oito de busca e apreensão, a serem cumpridos por 52 agentes nos três estados.

Nos locais de prostituição comandados pelo grupo, em Franca, foram encontradas 14 vítimas, já encaminhadas para receber assistência psicológica e social. Em geral, as garotas precisavam ficar em ruas específicas, nas quais ofereciam seus serviços sexuais, não sendo a elas permitido retornar ao local onde estavam "hospedadas" até cumprirem uma cota diária de clientes.

O caso está sendo acompanhado pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

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