Valéria dos Santos foi detida por policiais militares durante uma audiência no 3º Juizado Especial Cível de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. A advogada, que teve voz de prisão dada por uma juíza leiga, foi algemada e arrastada pelos militares após afirmar que não teve chance de fazer as suas contestações no caso em que defendia. A ação, gravada em vídeo, foi repudiada pela Frente de Juristas Negras, do Rio de Janeiro, e também pela OAB-RJ, que disse que o episódio não aconteceu nem na época da ditadura militar.

Entenda o caso

Tudo começou após uma juíza leiga e a advogada Valéria dos Santos discutirem sobre incluir ou não uma contestação no processo. Juízes leigos atuam em audiências de conciliação, porém, não há necessidade de serem togados, e exercem suas funções em juizados especiais.

A juíza leiga anunciou que iria encerar a audiência, mas a advogada questionou dizendo que ainda não havia encerrado o seu trabalho, e tampouco feito as contestações do caso julgado. A discussão prosseguiu até que a juíza pediu que Valéria dos Santos se retirasse do local, mas a advogada contrariou dizendo que não sairia até a chegada do delegado da OAB, responsável por atuar em casos onde exista a suspeita de ação desrespeitosa ao trabalho dos advogados.

Diante da decisão de Valeira, a juíza alegou: 'Quem diz isso sou eu'. A advogada continuou insistindo que permaneceria na sala, e recebeu uma nova ordem para se retirar do local, novamente negada pela advogada. Com o impasse, a juíza chamou os policiais, que algemaram Valéria dos Santos e a retiram à força do juizado.

A prisão de Valéria

Diante da presença da Policia Militar, a advogada tentou argumentar dizendo que teria o Direito de ler a contestação, e afirmou que está agindo dentro da lei. Mesmo com as declarações da advogada, um policial afirmou que Valéria sairia dali com eles.

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Tornando a insistir pela presença do delegado da OAB, a advogada, em um momento do vídeo, já aparece no chão, algemada, dizendo que teria o direito de trabalhar, porém, sem ter o seu desejo atendido pelos policiais militares.

Valéria dos Santos chegou a ser levada para a delegacia e apenas foi liberada quando o delegado da OAB exigiu que fossem retiradas as algemas.

A Ordem dos Advogados anunciou que pedirá o afastamento da juíza e também dos policias que apareceram no vídeo fazendo a prisão da advogada.

O presidente da Comissão ainda informou nunca ter visto algo tão bizarro acontecer.

O caso tomou tamanha repercussão que mulheres famosas se colocaram em favor da Valéria dos Santos em suas redes sociais. Artistas negras, como Ludmilla, Izza e Cris Vianna compartilharam fotos no Instagram onde apoiaram a advogada negra, e repudiaram sua prisão arbitrária.

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