O incêndio no Museu Nacional, ocorrido na tarde deste domingo (2), no Rio de Janeiro, poderia ter provocado vítimas fatais. Horas após o prédio pegar fogo, alguns cientistas e professores se arriscaram nas esfumaçadas e escuras salas do prédio histórico na tentativa de salvar o que fosse possível. Paulo Buckup foi um dos que arriscaram a vida para tentar salvar peças do acervo do museu.

Ele contou que ajudou outros colegas a arrombarem portas e levarem gavetas contendo espécimes de moluscos e calcula que o ato ajudou a salvar "alguns milhares" de espécimes de moluscos, porém o incêndio destruiu dezenas de milhares de insetos, disse o professor especializado em ictiologia, que estuda a evolução dos peixes.

Desolado, o professor – que chegou ao local pouco mais de uma hora após o inicio do fogo -, afirmou que a maior perda são as coisas que não existem mais, as relíquias antigas. Ele citou ainda um peixe-serra, que media cerca de cinco metros, que estava preparado para ser exposto ao público.

Meteorito resistiu ao incêndio

Uma das principais atrações do acervo, o meteorito Bendegó, um dos maiores do mundo, foi uma das peças que resistiu intacta ao incêndio.

De acordo com explicação dada pelo geólogo Renato Cabral Ramos, por ser de ferro maciço, o objeto conseguiu resistir as altas temperatura a qual foi submetido, porém as pesquisas que foram feitas através dele e que estavam guardadas na biblioteca foram perdidas.

O meteorito foi encontrado no século XVIII nas proximidades do riacho Bendegó – daí vem seu nome – no sertão da Bahia e estava exposta no museu desde 1892. Sua origem ainda é desconhecida e seu peso é de cerca de 5 toneladas.

Fogo destruiu cerca de 90% do acervo

Cerca de 90% dos 20 milhões de item que faziam parte do Museu Nacional foram perdidos. É o que informou a vice-diretora, Cristiana Serejo, em entrevista coletiva concedida na tarde desta segunda-feira (3). O que sobrou? O prédio, essas peças que eu falei. Talvez uns 10%”, disse. De acordo com Serejo, para a recuperação do museu serão necessários 15 milhões de reais, á principio.

Além do já citado meteorito Bendegó, foram salvos do incêndio parte da parte da coleção de zoologia, o herbário, departamento de zoologia de vertebrados, a biblioteca central do museu, outros minerais e algumas cerâmicas. Já o acervo mobiliário do 1º reinado e peças herdadas da família imperial foram destruídos, assim como tudo que estava no prédio principal, exceto meteoritos.

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