O Rio de Janeiro não é famoso apenas pelas suas belezas naturais, mas também por ser uma capital brasileira que é um dos ícones mundiais de cultura. Há muitos anos, outros centros culturais sofreram incêndios no Rio de Janeiro, como o Museu de Arte Moderna, na madrugada do dia 8 de julho de 1978, no qual obras de Pablo Picasso e Salvador Dalí foram completamente destruídas.

Mas o que aconteceu nessa segunda-feira com o Museu Nacional, localizado na Quinta da Boa Vista, mais precisamente no bairro da Zona Norte carioca de São Cristóvão, ultrapassou os limites do trágico.

Uma das peças que sobrou e que ficava exatamente na entrada do Museu foi um meteorito, logicamente por ser um mineral cuja composição resiste a altas temperaturas.

Estimava-se que havia vinte milhões de peças do acervo.

O incêndio, o qual começou a ser controlado às duas horas da manhã, transformou em cinzas parte da nossa cultura, da nossa história e da nossa ciência. Foi necessário que os bombeiros esperassem o dia clarear para constatar a extensão da destruição causada pelo fogo. Por volta da meia-noite, o fogo começava a ser controlado.

Estrutura em cinzas

Da estrutura de madeira, de 200 anos, o telhado, que desabou, e os pisos, também de madeira, como são compostos por material inflamável estrutural, nada sobrou, pois o fogo espalhou-se rapidamente por todo o prédio. A quantidade de água para combater o fogo era insuficiente nos dois hidrantes que estavam à disposição, mas uma solução emergencial oferecida pela CEDAE em disponibilizar carros-pipas ajudou no trabalho.

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Uma ideia salvadora de última hora foi a colocação de quatro bombas que conseguiram sugar as águas do enorme lago da própria Quinta da Boa Vista.

Foi declarado que apenas 10% do acervo pode ser recuperado, pois o material em geral era inflamável. O equipamento de combate a incêndio era insatisfatório, e não havia uma brigada que pudesse trabalhar com precisão. O Corpo de Bombeiros fará uma investigação mais minuciosa nos próximos dias.

Infelizmente, bem como o equipamento de combate a incêndio, os recursos federais destinados à manutenção do Museu também não eram suficientes. A quantia de 25 mil reais por mês não era o bastante para a instituição.

Lamentações e manifestações

Diretores e funcionários do Museu Nacional, que dedicaram suas vidas à pesquisa e preservação de nossa história, acompanhavam o trabalho e a tentativa hercúlea de mais de 80 componentes de 20 quartéis do Corpo de Bombeiros em resgatar o Museu e seu acervo, e lamentavam em entrevistas o ocorrido.

Na tarde dessa segunda-feira, na entrada principal da Quinta da Boa Vista, centenas de estudantes, a maioria da UFRJ, universidade responsável pelo Museu, estiveram presentes num ato de solidariedade. Alguns manifestantes tiveram a iniciativa de fazer um abraço simbólico ao Museu, mas a região encontrava-se interditada e por conta dissso foram impedidos pelos guardas municipais de realizarem seu gesto.

Na tentativa de entrarem à força, geraram uma tensão temporária, prontamente contida pelos guardas, utilizando de golpes de cassetetes, bombas de efeito moral e sprays de pimenta.

Não houve vítimas, pois os últimos visitantes deixavam o Museu exatamente às 17 horas do domingo. Duas horas e meia depois, começava o incêndio. Os vigilantes conseguiram escapar ilesos.

Resta lamentarmos o grande crime contra a memória do Brasil e torcermos para que o Museu Nacional possa ser revitalizado de alguma forma.

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