Entre idas, vindas e alterações no calendário, entrou em vigor à 0h do último domingo (4) o horário de verão para as regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e o Distrito Federal.

Comparado a outras edições, o horário de verão deste ano teve início com um atraso de pelo menos duas semanas. Portanto, será mais curto do que das outras vezes.

Se este fosse um ponto da polêmica, estaria bom. Mas não para por aí.

Ao vigorar simultaneamente com a primeira data da aplicação do Enem a nível nacional, o acerto dos ponteiros do relógio vem sendo questionado ultimamente quanto ao seu objetivo primordial: a economia de energia elétrica.

Ontem e hoje

O Brasil começou a aplicar o horário de verão em 1931 e, com o decorrer do tempo, sua justificativa era a busca da eficiência energética. Contudo, a Abesco (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia) afirma que esse propósito está caduco, porque nos últimos anos houve um aumento no consumo de eletricidade.

De acordo com o presidente da Abesco, há um novo vilão responsável pelo aumento de consumo de energia no Brasil. Sim, o chuveiro elétrico perdeu a liderança para o ar-condicionado. Ele continua com o seu raciocínio de que o ar-condicionado é utilizado ao extremo de sua capacidade durante os dias mais quentes.

O representante da Abesco efetua a comparação dos dois equipamentos quanto à duração de seu uso no cotidiano: o ar-condicionado é muito mais usado em relação ao chuveiro, já que se pressupõe que um banho dure menos do que a climatização de um ambiente.

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Governo

Muitos brasileiros utilizam o ar-condicionado ao dormir. Para o presidente da Abesco, a mudança tem a ver com a elevação da temperatura, incorporada como um hábito do consumidor, e não com a maior ou menor incidência de luz.

Instalação correta e eficiência

Se bem dimensionado e instalado corretamente, a eficiência de um ar-condicionado pode ser igual ou maior do que a de um chuveiro elétrico. Não adianta colocar um aparelho pequeno para refrigerar grandes ambientes ou deixar vãos e frestas entre a parede e o equipamento, pois em ambos os casos, haverá um desperdício de eletricidade.

A perda de eficiência pode girar em torno de 20% a 40%.

Ao longo de 126 dias de vigência, a partir de outubro de 2017, o horário de verão registrou uma economia calculada em 74,2MWh em 234 cidades atendidas pela CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz). Uma economia equivalente ao consumo da cidade de Campinas (SP) –com 1,1 milhão de habitantes– por um período de 8 dias.

Prenúncio do fim?

É a segunda vez que se adota o horário de verão mais por motivos políticos do que por motivos técnicos.

A responsabilidade por sua continuação ou não ficará a critério do presidente eleito Jair Bolsonaro. Se ele levar em conta os últimos estudos feitos pelo Ministério de Minas e Energia e pelo Operador Nacional do Sistema, é grande a chance de abolir o horário de verão a partir de 2019. Existe uma tendência apontando a inviabilidade da vigência sob a alegação da eficiência de energia. Um dos dados que balizam essa possível revogação é a mudança do horário de pico de utilização: passou das 17h às 20h para a faixa das 14h e 15h.

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