Com o filho preso desde a semana passada, suspeito de ser o responsável pelas agressões que teriam causado a morte do estudante Luiz Felipe Siqueira de Souza, na última segunda-feira (19), o pai de Hudson Rangel Gomes Rosa revelou que está sofrendo ameaças de morte.

O homem, um motorista de 50 anos e que pediu para não ser identificado, disse que as mensagens ameaçadoras começaram a chegar até ele via WhatsApp dois dias após as agressões.

Ele registrou boletim de ocorrência e cópias dessas mensagens foram entregues à Polícia.

De acordo com o motorista, as mensagens diziam que as consequências “seriam bem rígidas” caso ocorre-se algo com o estudante. O homem disse que toda a família está abalada e que o filho não é o que estão falando que é. “A educação que eu tenho e dei para ele é totalmente diferente”, disse.

Ao ver as imagens, que mostram Luiz Felipe caindo da escada e batendo com a cabeça na mureta, o motorista negou que o filho tenha empurrado o colega.

“Só vejo ele [o aluno agredido] caindo e o Hudson tentando pegar”, disse o pai, que ainda afirmou que há seis meses o rapaz trabalha em uma sorveteria e com o salário ajuda no orçamento da casa e ainda aos finais de semana o ajuda em uma obra. Ele negou ainda que o rapaz frequente academia ou pratique artes marciais. “A única academia que ele faz é carregar lata de concreto”, falou.

Sobre as cerca de 30 ocorrências contra o filho, dentre desrespeito a professores e agressões contra colegas, o motorista disse desconhecer todas elas.

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Polícia

Ele lembrou de uma, quando até foi chamado na escola após o filho falar em voz alta com um dos professores.

Uma tia de Hudson, que também preferiu manter anonimato, disse que em outra dessas ocorrências ele e outros colegas colocaram fogo em uma lixeira no pátio da escola. A mulher, no entanto, disse que o rapaz era respeitoso dentro de casa. “Eu desconheço o Hudson descrito nas reportagens”, disse.

Preso com outros seis detentos

O advogado de Hudson, José Arthur Di Spirit Kalil, disse que está elaborando um pedido de habeas corpus. No pedido, ele irá alegar que o rapaz não oferece risco e por isso não existe a necessidade de mantê-lo preso, em contato com pessoas de alta periculosidade. Ele divide a cela com outros seis detentos.

Kalil disse ainda que o estudante ficou abalado ao saber da morte do colega. “O Hudson mal pôde conversar de tão abalado que estava”, falou o advogado.

O caso

No último dia 14, alunos de uma das escolas estaduais mais tradicionais de Belo Horizonte aproveitavam o horário do intervalo para jogar futebol. No meio do jogo, iniciou-se um desentendimento, que acabou em agressões. Imagens do circuito de segurança mostraram o estudante Luiz Felipe sendo arremessado escada abaixo e batendo com a cabeça em uma mureta. Ele ficou internado em estado grave e morreu na última segunda-feira (19).

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