Outra história de sobrevivente da tragédia de Brumadinho tem chamado atenção dos internautas e foi publicada pela BBC News Brasil. Ana Paula Silva Mota se salvou da tragédia, mesmo estando bem perto da barragem do Córrego de Feijão, na fatídica sexta-feira (25). Hoje ela vive remontando os pensamentos sobre o dia e por certos momentos, como revelado pela reportagem, vive "ausente" como se estivesse remontando em sua mente os momentos que antecederam toda a tragédia, que já soma 150 mortos, além de mais de uma centena de desaparecidos.

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A motorista de uma das grandes caçambas que circulam no local, retirando minério de ferro e abrindo caminho para novas extrações, estava a menos de 600 metros da barragem, quando viu a lama se aproximando. Em um relato emocionante, a motorista de 30 anos contou à BBC como fez para se salvar, dentro de seu instrumento de trabalho. Ela ainda acredita que tenha sido uma das primeiras pessoas a entender e ver o que estava acontecendo.

Mulher que estava a menos de 600 metros da barragem revela 'milagre'

Ana revelou que estava há menos de 600 metros da barragem quando tudo aconteceu.

Ela estava no caminhão com cerca de 90 toneladas de entulho dentro da caçamba e diz que deu ré no veículo, na tentativa de salvar a própria vida. Por ser uma das primeiras pessoas que viu a tragédia, Ana Paula também disse que acionou o rádio para tentar avisar do que vinha por aí. "A onda veio muito rápido. Mas também parecia que estava em câmera lenta", disse a mãe de duas crianças.

Ela se encaminhava até o terminal de cargas de trens, onde descarregaria o minério em vagões. Nas imagens, inclusive, dá pra ver que a lama leva vagões do tem que transporta a matéria prima, sem maiores dificuldades.

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A altura do veículo ajudou a motorista a visualizar a tragédia.

A profissional da Vale também revelou que nunca teve medo do rompimento da barragem, uma vez que a sua empresa sempre deu muita segurança a todos sobre a resistência do local. Não foi o que se viu, já que o rompimento aconteceu.

'Comecei a gritar desesperada', diz motorista

Assim que ela se deu conta do que estava por vir, ela conta que começou a gritar de forma desesperada pedindo para que todos que estavam com o rádio ouvissem e tentassem se salvar.

ela se recorda de ter dito aos gritos: "corre, foge, a barragem estourou". Justamente por ter sido uma das primeiras a visualizar a potencial tragédia, ela conseguiu ainda usar o rádio e a frequência que usava pode ser ouvida por outras pessoas. Por outro lado, os sobreviventes de uma caminhonete branca, mostrara por um vídeo gravado do alto de um guindaste, revelaram que tentaram usar o rádio, mas as frequências já estavam congestionadas.

Do momento em que ela viu a avalanche vindo, em cerca de 30 segundos, tudo próximo ao local onde Ana estava foi inundado.

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A fuga de ré

Ana também conta que, assim que avistou a lama vindo, deparou-se com um outro caminhão no sentido oposto. Ela acabou fazendo uma manobra arriscada de ré, adiou a própria fuga, para salvar o colega que vinha em sentido oposto. Só depois, ela se posicionou com o caminhão com carga de 90 toneladas, em um ponto onde talvez não fosse atingida.