O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot lançou nesta segunda-feira (7) o livro "Nada Menos que Tudo" (editora Planeta). O evento aconteceu em uma livraria em São Paulo, onde, segundo o jornal O Globo, havia mais jornalistas do que público interessado pela obra.

O livro promete revelações sobre grandes nomes da política brasileira. Ele falou pouco e não respondeu a questionamentos da imprensa no local a respeito do suposto fato ocorrido em 2017, quando ele afirma ter entrado armado no Supremo Tribunal Federal para atirar em Gilmar Mendes --revelação feita por ele no dia 26 de setembro em entrevista ao jornal O Estado de S.

Paulo e também confirmada com declarações à Folha de S.Paulo.

Segundo O Globo, não existem registros da presença de Janot em Brasília no dia 11 de maio de 2017, data que ele alega que iria cometar o crime. O site Jota informou que no dia 10 de maio, véspera do suposto fato, Janot viajou para Minas Gerais e só retornou no dia 15, informação confirmada pelo jornal O Globo, que citou como uma das fontes a Força Aérea Brasileira, que deu apoio nessa viagem.

Ainda segundo apuração de O Globo, o evento durou apenas 40 minutos e apenas 43 livros foram vendidos, dos 550 disponíveis. Janot chegou de caminhonete com dois seguranças, fora um terceiro que já estava no local. Estava 20 minutos atrasado e, de óculos escuros e pouco propício para falar, fez pequenas declarações, ainda segundo o jornal.

O livro traz poucas elucidações para o caso do pretenso crime e foi escrito em parceria com os jornalistas Jailton de Carvalho e Guilherme Evelin.

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Lava Jato Governo

O pretenso fato é citado apenas de forma genérica, sem citar nomes. Em entrevista ao Estadão, em 26 de setembro, Janot afirma que "ia ser assassinato mesmo. Ia matar ele (Gilmar) e depois me suicidar".

Sem crime, sem castigo

A ameaça de Janot fez com que o ministro do STF Alexandre de Moraes determinasse que o ex-procurador não se aproximasse a menos de 200 metros dos membros da corte. O Código Penal Brasileiro não incrimina quem pretende fazer um ilícito, segundo a Folha de S.

Paulo repercutindo o fato. Sem tentar ou cometer, não configura crime. Janot poderia andar armado porque tinha essa autorização como qualquer integrante do Ministério Público Federal (MPF). Autoridades também não passam por nenhuma revista ao entrar no STF. Entretanto, Janot pode ser punido na esfera administrativa se os integrantes do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) abrirem o processo --cuja penalidade poderia ser a perda da aposentadoria, ainda de acordo com o jornal.

As divergências entre Janot e o STF iniciaram em 2017, quando o então procurador-geral da República pediu a suspeição de Gilmar Mendes no caso da Lava Jato envolvendo o empresário Eike Batista, cujo escritório de advocacia de sua defesa tinha a esposa de Gilmar como sócia. O STF retaliou, segundo Janot, colocando suspeitas em sua filha, advogada que defendera a empreiteira OAS no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Apesar de não existir esse registro público da suspeição do STF contra sua filha, Janot insistiu que ela foi citada durante uma sessão do STF.

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