Foram dois campos de luta. Um menor, não tão decisivo, e outro maior, decisivo e ameaçador. No primeiro, o Senado, o Governo venceu. No segundo, Câmara dos Deputados, mais expressivo, numeroso e perigoso, o governo perdeu. O Senado, de um general parceiro, solidário. A Câmara, de um general rebelde, independente.

O que se travou, afinal? Duas batalhas, com uma vitória para cada um, sendo uma mais importante que outra, exatamente a do inimigo?

E com esta o início de uma guerra que pode derrotar fragorosamente o Governo? É que já se fala na possibilidade de uma investida contra as bases do Governo de modo a provocar até sua queda através de uma arma terrível chamada "impeachment", a mesma que derrubou o hoje senador Fernando Collor quando era Governo.

No Senado, o general, chamado de presidente é o mesmo de outras batalhas: Renan Calheiros disparou 49 votos contra 31 de seu adversário direto, servindo na mesma corporação política do vencedor, o PMDB.

Este, de quem eram esperados 35 votos (quatro deles falharam, o que é comum em soldados de má pontaria moral). Na realidade, Renan é político de grande habilidade e maneja bem suas armas de convencimento. Além do mais, tem grande prestígio junto ao Governo. Há algo de suspeito a seu respeito quanto ao que se denominou Operação Lava Jato, mas esta ainda não concluiu o que tem de ser apurado. Encolheu-se estrategicamente quando da disputa pela presidência, mas manifestou-se na luta na hora certa e decisiva.

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Governo Eleições

Seu adversário também se apresentou bem próximo da disputa, mas sem as armas necessárias. O vencedor estabelece como prioridade a luta pela reforma política e a reformulação da economia para promover o crescimento do país. Será?

Na Câmara dos Deputados, como novo general, o presidente é Eduardo Cunha, também do PMDB (RJ), partido aliado do Governo, mas que teve esse general desgarrado para tornar-se o adversário vencedor.

A batalha foi contra os adversários: Arlindo Chinaglia, (PT-SP), Júlio Delgado (PSB-MG), Chico Alencar (PSOL-TJ). O quadro de aliados desses candidatos seria assim: 1) Eduardo Cunha: PMDB, PTB, SD, DEM, PRB, PSC, PP (200 deputados) e PP, PR, PSD, PSDB (alguns prováveis); 2) Arlindo Chinaglia: PT, PSD, PROS, PDT, PCdoB, PR (179 deputados) e PRB, PTB, PSDB, PMDB (alguns prováveis); 3) Júlio Delgado (PSB-MG): PSB, PSDB, PPS, PV (106 deputados) e PDT, PMDB, PT (alguns prováveis); 4) Chico Alencar (PSOL-RJ) (sem previsão de prováveis). Traições mudaram o quadro. Por favor, não reparem.

O resultado na câmara 

Eduardo Cunha - 267 votos e Fernando Chinaglia - 136 votos.

Derrota amarga contra um adversário determinado que se opõe ao governo e se posiciona como independente face aos interesses do mesmo governo.

Derrota consolidada na mesa diretora da câmara 

O PT também perdeu na constituição das onze vagas na mesa diretora da Câmara, porque, na tentativa de angariar votos para o seu candidato à presidência, cedeu vagas, em número de três, ao PSD, ao PR e ao PROS.

Interessante é que essas vagas foram ocupadas por deputados desleais aos interesses do PT, o que o deixa sem influência na direção dos trabalhos da casa.

Então, haverá guerra?

Expectativas de CPIs, oposição fortalecida, corrupção, economia enfraquecida, o quadro é favorável a uma guerra. Espera-se que o povo esteja do lado vencedor. Chega de perder!

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