Em pleno século XXI, com toda a evolução nas profissões e leis trabalhistas com o passar do tempo, existem atividades e profissionais que acabam despertando mais a atenção, o respeito e até provocam um pouco mais de curiosidade em relação ao que fazem no dia a dia de trabalho.

É o caso, por exemplo, de Ana Cristina Neves, com 44 anos de idade, cuja profissão é auxiliar de necropsia, a qual costuma brincar que a sua vida se resume na morte, pois já faz 20 anos que Ana Cristina trabalha recolhendo corpos pelas ruas do Distrito Federal. [VIDEO]

A estimativa é que a auxiliar de necropsia já tenha levado mais de 5 mil mortos para o IML (Instituto Médico Legal) de Brasília e, mesmo assim, a moça não tem planos de parar com o trabalho.

Ana concedeu entrevista ao site “Metrópoles” também do DF, explicando que o pai dela tinha o mesmo ofício, que lhe rendeu muitos casos e alguns apelidos tais como: “Gordinha do Rabecão” e “Dona Morte”.

Cris que acabar com o 1º apelido, uma vez que está empenhada em perder alguns quilos e para isso está fazendo academia. Verdade ou não, a moça diz não saber quanto está pesando na atualidade.

A servidora pública tem uma aparência física que chama muito a atenção, mas mesmo com o seu 1,73m de altura, a vaidade feminina se faz presente. Ana que mora na cidade satélite de Ceilândia só tem como companhia o cachorro Bidu; no entanto, garante que encontrará a sua cara metade numa dessas remoções pelas quais é responsável.

Ana Cristina fez questão de explicar que se esforçou muito ao estudar para trabalhar no IML, uma vez que desde criancinha tinha interesse pela anatomia humana, tanto que fez enfermagem e até trabalhou no Exército, só que o IML sempre foi o seu grande sonho enquanto profissional.

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A auxiliar de necropsia trabalha arduamente e em 20 anos de atividades, só passou 5 vezes o Natal e Ano Novo com os familiares. Isso sem contar os acidentes de trabalho, como quando ela foi descer em certa ocasião do rabecão, e acidentalmente rolou barranco abaixo, fazendo com que as pessoas gritassem “segura gordinha”, relembra Ana com bom humor.

Alegria no dia a dia de Ana Cristina

Ana Cristina ou Cris como é chamada pelas pessoas mais próximas, é extremamente alegre e é um exemplo na arte de contornar os imprevistos da vida, nunca se abatendo; tanto é assim, que ela diz que o IML é um grande centro cirúrgico, e a morte um “avião”, que mais cedo ou mais tarde, todos irão embarcar. [VIDEO]

Como é o trabalho da auxiliar de necropsia

Ana Cristina contou ainda que no seu serviço já passou por algumas saias justas, como quando foi remover um morto, onde um religioso amigo do mesmo pediu para não levar o corpo, pois ele iria ressuscitar no prazo de três dias, ou seja, um Velório mais do que forçado.

A funcionária pública falou que durante o horário de trabalho teve que participar de sessões de orações, encontros de rap e trabalhos de cunho espiritual em terreiros. Todavia quando o assunto é morte de criança, não tem como não se emocionar, e é justamente nesse tipo de caso que Ana se dedica com mais carinho, pegando os pequenos mortos no colo, pedindo licença aos pais e carrega com mais jeitinho.

Enfim, como diz a Ana em toda a sua sabedoria duramente conquistada com 20 anos de dedicação ao trabalho, não importa se as pessoas são ricas ou pobres, se morreram no Lago Sul ou na Estrutural, se eram ricas ou pobres, pois todos os que ficaram acabando chorando.

Fora do ambiente de trabalho, nos horários vagos, Ana Cristina gosta muito de forró e do “feminejo” (cantoras femininas do sertanejo). A moça disse também entre risos, que espera que alguém se inspire em idealizar uma personagem de novela baseada nela, pois ela é vidrada em novela. [VIDEO]

No caso seria uma mulher que trabalha na mesma atividade que ela e que sempre quebra a cara no amor, como confessou a própria romântica “Gordinha do Rabecão”.

Entrevista com Ana Cristina Neves, a "Gordinha do Rabecão"