Quem acreditou nas previsões para lá de otimistas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), de crescimento de 4% para o mercado brasileiro de automóveis neste ano, e da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), de alta de 2,4%, se depara com a dura realidade já no fechamento do primeiro mês de 2017. As vendas de carros de passeio e comerciais leves seguem em queda, de 27,8% em relação a dezembro, e de 4,7%, em relação a janeiro de 2016.

Comparada aos números do mesmo mês de 2012, ano do recorde histórico do setor, a retração deste início de ano chega a mais de 43%. O presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Jr., encontrou uma justificativa para o fenômeno: “Com o 13º na mão e as promoções de final de ano, o consumidor se sente atraído, mas os compromissos do início de ano, que vão desde impostos até material escolar, não o encoraja para investir em um zero-quilômetro”.

Bom, quem chama a compra de um 0 km de “investimento” parece, mesmo, afastado da realidade, até porque a desvalorização de um veículo, só de sair do concessionário, chega a 20% em alguns casos e o custo fixo (licenciamento, seguros, manutenção preventiva, estacionamento rotativo e até flanelinha) de ter um Automóvel popular na garagem, pesquisado pela Agência Autoinforme, ficou em quase R$ 16 mil, em 2016.

Só com este valor, o infeliz proprietário de um compacto mequetrefe passaria o ano inteiro rodando de Uber. Mas ainda há notícia pior: na contramão da queda da demanda e na contramão do primeiro “mandamento” da economia, os preços dos zero-quilômetros têm subido até 5,5% ao mês!

Liderança

Bom, voltando aos números de janeiro, a General Motors mantém a liderança nacional, entre as marcas, com uma participação que, neste início de ano, chega a mais de 19% - a GM fechou 2016 com uma fatia de 17,4%. Ainda na vice-liderança, a Fiat continua perdendo terreno.

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Política

Sua participação caiu de 15,3% para 13,8%. Volkswagen, com uma fatia de 12,6%, Ford, com 9,5%, e Toyota, com 9%, completam a lista das cinco primeiras na tabela. Já na briga dos modelos mais vendidos, Chevrolet Onix, Hyundai HB20 e Ford Ka seguem com o ouro, prata e bronze, respectivamente.

Entre os destaques positivos do mês passado, o Jeep Compass, que largou na frente do irmão mais “barato”, o Renegade, foi a grande surpresa com mais de 3.000 unidades emplacadas. O Toyota Corolla, que tinha fechado dezembro de 2016 na oitava posição, também se mantém firme entre os dez mais, enquanto o Gol parece ter reencontrado o caminho certo – o compacto da VW dá o pontapé inicial com mais de 19% de participação entre os modelos de entrada.

E quem começa o ano com o pé esquerdo são a Land Rover, que mesmo depois de inaugurar sua fábrica nacional, aumentando o preço de seus utilitários-esportivos (SUVs), vê sua participação cair mês a mês (desta vez de 0,34% para 0,29%), e a Volvo, que perdeu duas posições, para Suzuki e JAC.

O segmento de transportes, que reúne caminhões e ônibus, também não vai nada bem. Pelo contrário, começou 2017 com quedas de 32,1%, sobre dezembro, e 34,8%, sobre janeiro do ano passado. Entre as motocicletas e ciclomotores, a coisa também vai muito mal, com perdas de quase 30% em relação ao primeiro mês de 2016.

E as perspectivas são as piores, como revelou o economista Delfim Netto, em entrevista à Autoinforme. De acordo com ele, “a taxa de retorno, no Brasil, já é a maior do mundo, mas sempre que a indústria automotiva vê suas vendas caírem, ela procura o governo atrás de descontos e vantagens adicionais. É um setor que foi protegido deste o início e, hoje, não tem competitividade para exportar”.

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