O mercado brasileiro de Automóveis parecia se recuperar, mesmo que lentamente. Mas, no mês passado, as vendas de carros de passeio e comerciais leves caíram 5,8%, em relação a junho, e mesmo com a alta 2,3% em relação ao mesmo período de 2016, de acordo com dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), a luz de alerta volta a se acender.

Mesmo com queda em Julho, o resultado acumulado desde janeiro segue no azul, mas os ganhos que estavam em 4,2% baixaram para 3,9%.

Se a tendência atual for mantida até dezembro, o setor pode voltar ao vermelho no fechamento de 2017, com perda de 1%.

Mais uma vez, nota-se que o consumidor comum está cada vez mais longe de um zero-quilômetro, o que fica evidente quando se observa a participação das vendas diretas nos licenciamentos, que subiu de 21,8% para 39,4%, nos últimos cinco anos. Na prática, cerca de 507 mil compradores desapareceram dos salões, o que também fica patente no fechamento de mais de 1.300 concessionárias em todo o país.

O segmento de transportes, que reúne caminhões e ônibus, deu uma respirada em julho, com crescimento de 4,3%, mas no acumulado dos sete primeiros meses deste ano a queda é de 13,1%, em relação a 2016 – nos últimos cinco anos, o segmento de transportes encolheu 65,1%. Motocicletas e ciclomotores seguem em crise, com perdas de 11,1% só no mês passado, sobre o mesmo período do ano passado. “Esperávamos por esta retração, já que as incertezas do cenário político são um fator muito negativo”, avalia o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Jr, em tom de profecia.

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Política

“A queda também aconteceu em função das férias de julho”, justifica.

Na disputa das marcas, a General Motors segue na liderança, com uma participação de 17,8% entre carros de passeio e comerciais leves, com certa folga em relação à Fiat, que vem na segunda posição com uma fatia de 13,6% – há cinco anos, a montadora italiana tinha 22,4% de participação e, desde lá, suas vendas caíram 64,2%.

A Volkswagen mantém a terceira posição, com uma fatia de 12,6% e, pela primeira vez, a Hyundai (9,4%) desbanca a Ford (9,3%) de sua quarta colocação cativa.

A Ford, a partir de agora, passa a ser serialmente ameaçada pela Toyota (8,9%), podendo fechar o ano em uma vexatória sexta posição.

Renault (7,3%), Honda (6,4%) e Jeep (4%) completam a lista das dez maiores marcas do país em 2017. Entre os modelos mais vendidos no mercado nacional, o Chevrolet Onix amplia sua liderança, com alta nos emplacamentos de 2%, em julho. O vice-líder HB20, da Hyundai, registrou queda de 4,1% no período, enquanto o Ford Ka, terceiro na tabela, também registrou queda, de 7,2%.

O recém-lançado Argo, da Fiat, apareceu na oitava posição entre os populares e compactos, em julho, com mais de 3.200 unidades licenciadas. É quase o dobro das vendas do Palio, em junho, mas vale citar que, se somarmos os números de Mobi (4.315 unidades e retração de 34,2%, no mês passado), Uno (3.355 unidades e perdas de 24%) e Argo, além do próprio Palio (1.468 unidades e encolhimento de 12%), chegamos a 12.373 unidades, que é menos de a metade do que o Uninho vendeu, sozinho, em julho de 2012.

Médios e SUVs

Um degrau acima, o Cruze Sport6 (hatchback) amplia sua liderança entre os médios-compactos, alcançando uma participação de mais de 31,5%. Por outro lado, o Golf segue em franco declínio e, com queda de 30,5% só no mês passado, tem sua produção nacional ameaçada de encerramento, ainda neste ano.

Quem também está no “bico do urubu” é o Fiat Grand Siena, que há cinco anos tinha uma fatia de 19%, entre os sedãs compactos, além de uma média mensal de vendas de mais de 6.400 unidades, e hoje responde por apenas 10% das comercializações do segmento – só no mês passado, o modelo teve queda de 7,1%.

Enquanto a crise vai combalindo marcas e modelos, o Toyota Corolla segue impávido, com crescimento de 9% no mês passado e uma participação, entre os sedãs médios, que passa de 41%. Para o leitor que pretende comprar um automóvel deste segmento, o mais prudente é fugir do Renault Fluence e do Mitsubishi Lancer, que rumam firmes para a extinção.

Já entre os utilitários-esportivos (SUVs), o Jeep Compass, que teve ganhos de 8,6% em julho, segue na crista da onda. Perto de desbancar o Honda HR-V da liderança, definitivamente, nos próximos meses, ele vê o irmão menor, o Renegade, ainda ameaçado pelo Hyundai Creta.

Enquanto isso, o Renault Captur (+9,2%) vem, lentamente, conquistando seu espaço neste nicho, mas ainda longe de brigar pela ponta.

O fato é que a tentativa de separar a economia do caos político instaurado no país, depois do golpe do ano passado, não colou. A Fenabrave segue otimista: “esperamos que a confiança do consumidor cresça, junto com a maior oferta de crédito, neste segundo semestre”, avalia Assumpção, mas os números e, principalmente, a moral do setor estão no fundo do poço. Aliás, um abismo cavado com os próprios pés das montadoras.

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