Não chega a ser surpresa para ninguém que a espécie humana possui uma sensibilidade bem pequena em relação aos animais em geral, por isso, os benefícios de uma parceria adequada podem facilitar a vida de diversas formas. Um exemplo disso é a capacidade dos cães de detectar cheiros que, para os humanos, passam despercebidos.

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Um cachorro bem treinado consegue farejar o perigo e ficar preparado para alertar as alterações no ambiente, aparentemente seguro, a qualquer momento. Isso porque os caninos possuem 220 milhões de células olfativas, enquanto um humano tem apenas 50.

Pensando nisso, há alguns anos começaram a surgir os farejadores de doenças. Esses bichinhos treinados para detectar as mudanças corporais nas pessoas conseguem ser mais eficientes que laboratórios e máquinas precisas.

O cão Jedi avisa à Luke quando tomar seu remédio.
O cão Jedi avisa à Luke quando tomar seu remédio.

Por exemplo, em casos de homens com câncer de próstata, um estudo feito na Associação Americana de Urologia em Boston concluiu que os cães conseguem sentir a doença na urina do infectado com uma precisão de 98%. Esta qualidade olfativa característica dos companheiros de lar presentes na vida de muitas pessoas pode facilitar a vida até mesmo dos diabéticos.

Um experimento da Universidade de Bristol, no Reino Unido, mostrou a capacidade dos cachorros de acusarem quedas acentuadas dos níveis de glicose em pessoas com diabete tipo 1, situação na qual a produção de insulina do pâncreas é insuficiente graças a destruição autoimune das células.

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Nesses casos, o maior problema é a hipoglicemia noturna, justamente quando os índices de glicose decaem durante o sono. Embora atualmente exista um sensor de glicose subcutânea, o equipamento é caro e sujeito a falhas, como qualquer máquina. Aqui entram os nossos amigos.

Quando o nível de açúcar no sangue do diabético cai, o organismo libera hormônios e o fazem suar. Em consequência a mistura de bactérias presentes na pele, o suor produz um odor específico.

Além disso, o hálito da pessoa fica com cheiro de maçã madura. Um cão adestrado durante dois anos, em média, reconhece as alterações a tempo de emitir um alerta. Foi o caso, por exemplo, de Jedi, o labrador ajudante da família Nuttall, de Los Angeles. Luke, o filho mais velho de Dorrie, foi diagnosticado com diabete tipo 1, em 2011, quando tinha somente 2 anos de idade.

Aos 7 anos, ele foi salvo durante a noite, quando Jedi avisou a mãe do garoto que sua glicose baixou.

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Dorrie criou uma comunidade no Facebook, intitulada “Salvando Luke – Luke e Jedi – Tipo Luta 1 Diabetes Juntos”, e um site onde relata a vida do filho e do animal com textos e fotos dos momentos da família. O labrador faz um serviço público, portanto os donativos da campanha disponibilizada para relatar detalhes da doença e do serviço canino têm o intuito de conseguir ajudar Luke a ter seu próprio cachorro especializado em detectar quedas de glicose.

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Mas Jedi já faz parte da família.

Na terça-feira (15), Dorrie relatou no Facebook que seu filho mais velho brincava no quintal com os irmãos quando ela saiu para ver como ele estava, e, antes disso, o cão pegou seu bringsel (um curto bastão ou outro dispositivo usado pelo cachorro para sinalizar a necessidade do diabético verificar o açúcar no sangue) e já fez o alerta. “Um dia na vida de tipo 1 significa trabalhar duro para manter Luke na faixa todo o dia”, a mãe explicou. “Jedi e a CGM (Monitoração Contínua da Glicose) nos ajudam a mantê-lo na faixa tanto quanto possível. Eu não trocaria qualquer um deles para qualquer coisa”, acrescentou.

Contudo, Dorrie ainda lembrou que ter um cachorro é de grande responsabilidade, especialmente um farejador de diabete, e por haver organizações ruins é preciso se informar sobre a doença antes de tomar outras precauções. Felizmente, enquanto não há cura para a diabete, existem amigos fiéis que ajudam a superar o problema.

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