Portador de paralisia cerebral, Fernando Bittencourt Walfram, 35 anos, é um dos pacientes atendidos na Clínica de Fisioterapia da Univali (Universidade do Vale do Itajaí). Há dez anos, ele comparece semanalmente ao local. E adora. O motivo da alegria são os animados encontros com a labradora Tuca. Dona Marlete, a mãe, comemora essa fase de maior leveza no tratamento contínuo do filho. "Ele ama isto aqui, não deixa de vir”. Pessoas na condição de Fernando, e outros com deficiência visual, têm se beneficiado com a Terapia Assistida por Animais (TAA).

Não perca as atualizações mais recentes Siga o Canal Saúde

A bióloga e professora Paula Mellito, coordenadora da TAA da Univali e da Associação Pequenos Doutores, diz que a interação entre animais e pacientes resulta em significativas melhoras nos aspectos físicos e psicológicos nos atendidos.

"Eles realizam os exercícios sem notar, focando na brincadeira e tendo cuidado e carinho com os cães", afirma. As atividades desenvolvidas em conjunto pela instituição educacional e associação se iniciaram em 2013, com pacientes amputados e que apresentavam problemas neurológicos.

No começo, apenas dois cães auxiliavam nos trabalhos. A ação cresceu, transformou-se em projeto de extensão dois anos depois e agora reúne uma equipe de oito auxiliares caninos: os labradores Darwin, Cacau, Bono, Lira, Noka e Tuca; a poodle Nani e de Jeff, que pertence à raça lulu da pomerania. Todos eles integram as famílias de voluntários da Pequenos Doutores e de funcionários da Univali. Além da universidade, os atendimentos semanais também ocorrem no Centro Municipal de Educação Alternativa de Itajaí (Cemespi) e, mensalmente, no Asilo Dom Bosco.

Os melhores vídeos do dia

José Felipe, 20, é outro que se beneficia do contato com os auxiliares caninos. Vítima de um acidente de moto que lhe causou a amputação da perna e braço esquerdos, o rapaz realiza exercícios de fortalecimento e abdominais com a ajuda de Tuca. Como informou a professora Paula, esses movimentos são executados em forma de gestos de carinho e cuidado. José abandona a posição deitada e, levantando na diagonal, entrega comidinhas para a amiga. Sentado, ele se esforça para se equilibrar e pentear os pelos de Tuca. No tratamento com crianças, a motivação vem em forma de brincadeiras a exemplo da caça a objetos e petiscos escondidos.