Calma, se você come carne, não fique irritado. Essa não é uma daquelas conversas com o amigo vegetariano tentando lhe convencer a aderir ao movimento. Mais uma vez, são as pesquisas que dizem isso.

A Universidade de Southampton, no Reino Unido, analisou a dieta alimentar de mais de 8 mil pessoas e concluiu em pesquisa divulgada em 2007 que aqueles que não comiam carne tinham uma média de QI 5 pontos superiores aos carnívoros. Além disso, a proporção de vegetarianos com ensino superior e melhores salários era maior que a dos carnívoros.

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Segundo os pesquisadores, crianças e adolescentes com maior pontuação em testes de inteligência têm menor risco de vir a ter doença cardíaca no decorrer da vida, possuem menor possibilidade de começar a fumar. Os estudos indicam que essa inteligência pode influenciar decisões de estilo de vida como a escolha de um jornal, os livros que serão lidos e a diversão, trazendo implicações para a saúde.

O trabalho define vegetarianismo como a prática de viver inteiramente de vegetais e se alimentar com ou sem produtos lácteos, mel e ovos (os grupos que eliminam lácteos, mel e ovos são chamados de veganos), e o considera como um comportamento que durante séculos foi adotado principalmente por objeções éticas para o uso de Animais.

Nem sempre a prática foi bem aceita e, por muito tempo, foi considerada um tipo de alimentação que não é capaz suprir as necessidades do corpo humano. No entanto, novo estudo da Universidade de Harvad garante que os vegetarianos não apenas conseguem a quantidade necessária de proteína para o corpo, mas também afirma que uma dieta balanceada oferece até duas vezes a quantia diária indispensável aos humanos, se comparada à dieta carnívora.

Porém, mesmo em tempos mais remotos podemos encontrar definições como a de Benjamin Franklin, considerado um dos homens mais inteligentes da história, que afirmou que uma dieta vegetariana resulta em maior clareza de cabeça e compreensão mais rápida.

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George Bernard Shaw,  ainda em 1890, escreveu um artigo cujo título era “Uma mente do calibre da minha não pode derivar da nutrição de vacas",  e mesmo Shakespeare, que não era vegetariano chegou a desabafar e desconfiar: "Eu sou um grande comedor de carne bovina e acredito que faz mal à minha inteligência".

As revelações das modernas pesquisas científicas podem vir a comprovar as suspeitas desses homens à frente de seu tempo. Pesquisa mais recente, do Estudo Nacional de Desenvolvimento Infantil, também no Reino Unido, aponta que não é o vegetarianismo que eleva a inteligência dos indivíduos, mas sim que as pessoas mais inteligentes têm maior probabilidade de tornarem-se vegetarianos. Nesse estudo, foram usados 11 testes diversificados e a diferença do resultado foi ainda maior daquela realizada há quase uma década: a diferença no QI aumentou em quase 10 pontos.

BRASIL

No Brasil, na esteira de uma maior procura por alimentação saudável, cresce a procura por produtos vegetarianos. De acordo com matéria publicada no jornal Folha de S.Paulo, os empresários do setor calculam ganhos em cerca de 40% apenas no último ano.

De olho no crescimento desse público no país, estimam ainda que 60% de seus clientes sejam carnívoros, mas buscam opções mais saudáveis, e isso significa que ainda há muito espaço para crescer nesse ramo.

Talvez para a maioria dos vegetarianos, que adotam esse estilo de vida por princípios éticos em defesa dos direitos animais e contra o uso insustentável do planeta, essa notícia não seja um fator decisivo; mas para aqueles que estão em dúvida sobre aderir não ao movimento, ou mesmo sobre sua própria capacidade de conseguir abolir a carne do cardápio, a divulgação das conclusões científicas podem dar aquele empurrãozinho.