Cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), responsáveis pela descoberta, no início do ano, de um corpo celeste nos confins do sistema solar, dez vezes maior que a Terra, batizado de Planeta 9, agora dizem acreditar que ele pode ser responsável pela inusitada inclinação do nosso sistema solar - considerado um dos maiores enigmas da astronomia.

De acordo com informações do jornal inglês The Telegraph, edição de quinta-feira (20), devido ao fato dos pesquisadores notarem que o monstruoso planeta parece influenciar todos os corpos celestes ao seu redor, eles o estão chamando de “o maior planeta entre todos os planetas”.

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O responsável pela descoberta do Planeta 9, professor Mike Brown, explica que todos os planetas, inclusive a Terra, orbitam uma superfície plana com relação ao Sol.

Porém, Brown explana que os aviões voam num ângulo de seis graus em relação ao equador do Sol, e que esse desalinhamento tem deixado os astrônomos perplexos há décadas. Em resumo, o sistema solar está inclinado em seis graus.

O pesquisador acentua o fato dessa discrepância astronômica ser ignorada pelos estudiosos, que evitam estudar o assunto devido à falta de explicação para o fenômeno. "É um mistério tão profundamente enraizado e tão difícil de explicar que as pessoas simplesmente não falam sobre isso", confessa Brown.

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A pesquisa

Segundo os cientistas do Caltech, existe a probabilidade da órbita altamente inclinada do Planeta 9 ser a responsável pela inclinação dos demais astros do sistema solar.

Para a principal autora do estudo, Elizabeth Bailey, em decorrência da inclinação mais acentuada daquele planeta com relação ao restante dos astros, a influência exercida por ele acaba por influir os outros corpos celestes. "Porque o Planeta 9 é tão grande e tem uma órbita inclinada em comparação com os outros planetas, o sistema solar não tem escolha a não ser torcer lentamente para fora do alinhamento", observa a cientista.

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Na percepção do astrônomo do Caltech, Dr. Konstantin Batygin, além de elucidar a incógnita sobre a estranha inclinação do sistema solar, o trabalho também comprova que o Planeta 9 realmente existe.

Batygin argumenta que o astro poderá revelar características do universo ainda não compreendidas pela ciência. "Toda vez que olhamos com cuidado, continuamos a achar que o Planeta 9 explica algo sobre o sistema solar que tinha sido por muito tempo um mistério", pondera.

Cientistas informam que o emblemático corpo celeste leva entre 10 e 20 mil anos para realizar uma órbita completa em torno do Sol. Contudo, salientam que levaria apenas 20 anos para uma sonda chegar até o astro e descobrir se ele de fato existe.

Conforme os pesquisadores, o Planeta 9 também poderia ser visto da Terra por meio dos maiores telescópios do mundo, localizados em Maunakea no Havaí (EUA). No entanto, é necessário ressaltar o fato dele ainda não ter sido visualizado pelos telescópios terrestres.

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A pesquisa foi apresentada na reunião anual da Sociedade Astronômica Americana de Ciências Planetárias, na Califórnia.

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