Você já deve conhecer a arte tai chi chuan e a yoga, mas já ouviu sobre uma atividade física igualmente importante e com propósito ainda mais direcionado do que essas? Trata-se da Lian Gong. Batizada no início de lian gong shi ba fa, ao pé da letra, “lian” significa “exercitar, treinar” e “gong shi ba fa” se traduz como “trabalhar persistentemente para atingir nível elevado de habilidade corporal”.

Na prática, a lian gong é uma ginástica para promoção de saúde que previne e trata lesões musculares, esqueléticas, dores crônicas, disfunções do sono, transtornos mentais entre outros distúrbios que quebram o equilíbrio do corpo humano.

Na década de 1970, em Xangai (China), o médico ortopedista Zhuang Yuan Ming dedicou-se a pesquisar e praticar exercícios sistematizados com base em várias práticas milenares. Sua intenção era reunir os mais efetivos movimentos em uma terapia única. Por anos ele pesquisou, entre outras artes milenares, o ba duan jin (exercícios dos oito brocados da seda), o jogo dos cinco animais e o yi jin jing (exercícios dos camponeses).

Ming acabou por tornar-se um especialista em técnicas de ortopedia associadas à medicina tradicional chinesa. Em 1974, apresentou a lian gong, um conjunto composto por 18 técnicas terapêuticas que buscam restaurar o correto balanceamento das atividades biológicas nos praticantes. A técnica reúne exercícios com movimentos amplos organizados em duas sequências: terapias anteriores e posteriores.

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O pescoço, ombros, costas, região lombar, glúteos e pernas são estimulados em uma sequência específica promovendo a sincronia de ações entre as estruturas físicas do corpo e a atividade mental e social. Em resumo, um pareamento completo do corpo e da mente.

No Brasil a modalidade foi inicialmente estudada e divulgada a partir de 1987 pela professora de filosofia e de artes corporais chinesas Maria Lúcia Lee. Desde então, os adeptos da lian gong buscam aplicar suas técnicas como incentivo à prática de atividades físicas e na ginástica laboral.

A lian gong pode ser realizada por pessoas de todas as faixas etárias, mas o público mais ativo nessa arte está na terceira idade, que vêm praticando e se interessando pela ginástica como uma oportunidade de lazer. A terapeuta ocupacional Sabrina Neison Gonçalves vê a técnica como uma alternativa complementar a outras atividades físicas.

“Nesse mundo contemporâneo de cotidianos atarefados, estresse em várias situações, dores crônicas, posturas ergonômicas incorretas, fobias sociais, estados depressivos e ansiedade generalizada, a lian gong pode ser uma saída simples para obter qualidade de vida, autocuidado e mais funcionalidade diária”, afirma.

Em março de 2017 o Ministério da Saúde adotou a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), que apoia e propõe terapias alternativas à medicina ocidental no SUS (Sistema Único de Saúde). A lian gong está entre as práticas incentivadas juntamente com acupuntura, reiki e arte terapia, por exemplo.

Na visão dos especialistas, práticas orientais como essas motivam ir além dos tratamentos convencionais para cuidar do corpo e ainda coloca o praticante como maior responsável por sua saúde, provocando o hábito e a persistência em buscar um dia-a-dia mais equilibrado e saudável. Além disso, se tratam de atividades em grupo que promovem interação social e comunitária.