Infelizmente neste último sábado, dia 16 de setembro, Marcelo [VIDEO]Rezende veio a falecer. A comoção gerada nas redes sociais e até em programas de televisão também levantaram uma grande polêmica, afinal, o jornalista não fez quimioterapia e procurou se curar através de tratamentos alternativos.

Nesse caso, precisamos deixar essa questão do ponto de vista pessoal um pouco de lado, para que seja considerada a ciência, um dos alicerces sobre o qual a humanidade se sustenta. Então vamos analisar números, entre outros aspectos. Precisamos, então dividir os pacientes que foram diagnosticados com câncer em dois grupos distintos.

O primeiro grupo é formado por aqueles que usam a medicina convencional para se tratar, já o segundo grupo, é formado por pessoas que preferem se tratar através de um tratamento “alternativo”, como foi o caso do jornalista.

Levando essa divisão de pacientes em consideração, foi publicado um estudo pelo The Journal of National Cancer Institute, que apontou que a taxa de morte de quem faz tratamentos alternativos é superior ao dobro daquelas que fazem tratamentos convencionais, um dado impressionante. Ao todo foram quase seiscentos pacientes analisados pelos cientistas que chegaram a essa conclusão. Mas existem aspectos que merecem ser discutidos.

O tipo de câncer é um desses aspectos pois, por exemplo, se o câncer do paciente for localizado na próstata, não há nenhuma diferença significativa, logo a taxa de sucesso e fracasso são bem parecidas.

Por outro lado, se o câncer estiver localizado no cólon, a diferença é gritante.

Mais especificamente, o câncer responsável pela morte do querido apresentador era de pâncreas, e sobre ele essa pesquisa não tem um resultado conclusivo. Mas levando vários outros estudos e o dia a dia dos casos, a taxa de sobrevivência dos pacientes que também tiveram o mesmo tipo de câncer é de cerca de 8 por cento, após aproximadamente cinco anos (dados dos Estados Unidos). Nesse mesmo período, aqueles com câncer de cólon têm uma taxa de sobrevivência de quase 65 por cento.

O tratamento feito por Marcelo Rezende, segundo o que ele publicou nas redes sociais, era baseado em uma dieta e também tinha um aspecto mais espiritual e religioso, tanto é que o conteúdo de várias mensagens ditas pelo apresentador era muito espiritual e ele falava bastante em Deus. E, com isso, ele se distanciou dos tratamentos convencionais da medicina, que tem a taxa de 8 por cento de sucesso. Porém a chance já era pequena desde o início.

Aí entra uma outra discussão que diz respeito ao direito do paciente, afinal de contas levando todos os pontos de vista em consideração, se tratava, acima de tudo, da vida de Marcelo Rezende, e ele fez a sua escolha. Com relação aos pacientes terminais, existem aqueles que afirmam ser necessário fazer tudo o possível para salvar-se, e talvez por isso acabam sofrendo muito e, outros, já afirmam que o paciente deve escolher o tipo de tratamento, incluído não fazer nenhum.

De qualquer maneira a decisão foi de Marcelo e, antes de dizer que estava errada ou que ele deveria ter feito diferente, ele tomou sua decisão plenamente consciente do que fazia, e isso deve ser respeitado.