Segundo informações divulgadas pelos sites CBC News e This is Insider, uma pesquisa publicada nessa segunda-feira (23) pelo Jornal da Associação Médica Canadense (Canadian Medical Association Journal, ou CMAJ) evidenciou a descrição de um caso clínico analisado por dois médicos da Itália [VIDEO] que é tão incomum que até mesmo alguns pesquisadores duvidam da sua existência: a capacidade que um ser humano tem de suar sangue, mesmo estando com a pele totalmente intacta.

De acordo com os médicos Roberto Maglie e Marzia Caproni, análises levaram à conclusão de que uma paciente de 21 anos – também italiana –, cuja identidade está sendo mantida em segredo, realmente sofre da chamada hematohidrose, o que a leva a literalmente suar sangue tanto pelo rosto quanto pelas palmas das mãos e também por outras partes do corpo.

A condição foi constatada após a realização de testes que revelaram que tanto a contagem sanguínea quanto as funções de coagulação da jovem estavam completamente normais, o que descartou a possibilidade de um distúrbio faccioso, ou seja, a mulher não estava fingindo ter uma doença.

Um tratamento envolvendo o uso do medicamento chamado cloridrato de propranolol (indicado para problemas de coração e de pressão arterial) foi administrado à paciente, o que proporcionou uma redução no sangramento, mas não no seu desaparecimento completo.

Distúrbio raro e sem explicações conclusivas

Roberto Maglie e Marzia Caproni ressaltaram no relatório publicado que a literatura médica existente não fornece quaisquer explicações para o sangramento, embora algumas causas tenham sido propostas, tais como transtornos na capacidade de coagulação sanguínea ou a existência de doenças psicogenéticas, onde uma resposta emocional extrema pode desencadear a condição que acaba se manifestando fisicamente.

Segundo a médica Michelle Sholzberg, hematologista canadense que atua no St. Michael's Hospital, em Toronto, pode ser que a paciente da Itália possua alguma anormalidade muito incomum a um nível microscópico. A especialista afirmou que nunca viu ninguém suar sangue em toda a sua experiência profissional, durante a qual ela já entrou em contato com pacientes que apresentam "alguns dos piores distúrbios hemorrágicos".

Jacalyn Duffin, uma historiadora médica do Canadá, disse à CBC News que, a princípio, também não acreditava que a hematohidrose da mulher italiana fosse real. No entanto, ela realizou uma exaustiva revisão da literatura relacionada à medicina em busca de casos semelhantes, e conseguiu encontrar exemplos bem documentados onde algumas pessoas ao longo da história apresentaram o estranho distúrbio, algo que a fez mudar sua crença.

Duffin reconhece que a síndrome é raríssima e que a sua descrição se torna um pouco "confusa" devido às referências religiosas. O Evangelho de Lucas, por exemplo, cita que Cristo suou sangue enquanto orava em intensa agonia, pouco antes de ser entregue às autoridades de seu tempo para ser crucificado.

No entanto, a historiadora relevou que alguns relatos começaram a surgir no século 16 sem qualquer relação com o cristianismo, e que desde o ano 2000, pelo menos 18 casos envolvendo a condição já foram relatados, número que representa uma porção significativa das ocorrências reais que ela encontrou em sua pesquisa.