Com o surgimento da Fosfoetanolamina sintética (pílula do câncer [VIDEO]) desenvolvida na USP pelo mestre em química analítica Gilberto Chierice em 1995 e se tornando polêmica nacional em 2014, muitos profissionais da comunidade científica não hesitaram em sair contra este novo método de combater o câncer, acusando o pesquisador de inclusive charlatanismo.

Muitos não esperavam que em pouquíssimo tempo surgiriam diversas drogas exatamente com mesmo mecanismo de ação da fosfoetanolamina, consistindo em estimular o próprio sistema imunológico a identificar e combater apenas células tumorais.

A grande diferença da substância desenvolvida na USP e estas novas terapias que serão testadas em breve, são os valores, onde a última que chegará no Brasil em 2018 custará em torno de 945 mil reais, já a fosfoetanolamina [VIDEO] desenvolvida na USP custa em média 15 centavos a cápsula.

O método que será testado no Brasil será o CART-Cell, que estimula os Linfócitos T, células de defesa do corpo com receptores capazes de identificarem apenas células cancerígenas, não atacando as células saudáveis, como é o caso da quimioterapia. O que chama mais atenção neste tratamento é o seu preço.

Talvez se a fosfoetanolamina sintética tivesse sido desenvolvida em outro país e importada para o Brasil com um preço exorbitante como o do CART-Cell, a ciência brasileira daria mais atenção ao composto, pois os cientistas brasileiros sempre são condicionados a acreditarem que possuem menos potencial que pesquisadores de outros países.

O ego na ciência brasileira também é o que impede o país de ser referência no desenvolvimento de medicamentos eficazes no combate do câncer, obrigando muitos pesquisadores irem para outros países para darem continuidade nos estudos e somente depois importar estes medicamentos para o Brasil com preços elevadíssimos, somente assim a comunidade científica brasileira se abre dando a devida atenção.

Quando se fala de combate ao câncer, doença que rede mais de 1 bilhão de dólares por ano apenas nos Estados Unidos, pesquisadores que desenvolvem substâncias sem efeitos colaterais são rechaçados sem embasamento algum. O caso mais recente é do químico que desenvolveu a fosfoetanolamina sintética. Eleito 46º melhor químico do Brasil pela revista SuperInteressante, desenvolveu uma substância (polímero de mamona) capaz de regenerar o osso humano e utilizada em todo mundo, aprovada inclusive no FDA (instituição equivalente a ANVISA nos Estados Unidos), porém, quando se trata de droga antineoplásica sem efeito colateral algum, é chamado de charlatão pela comunidade científica brasileira.