Quem diria que a imaginação fantástica de Julio Verne e H.G. Wells estaria certa novamente após tanto tempo? O trabalho dos dois foi base para o fabuloso vislumbre da conquista do espaço, comandado por Georges Méliès.

Em 1º de setembro de 1902, o cineasta francês reuniu as obras "Da Terra à Lua", de Julio Verne, e "Os Primeiros Homens na Lua", de H.G. Wells, para imaginar a ousada trama ficcional apresentada no filme "Viagem à Lua" (Le voyage dans la lune). No curta-metragem, aventureiros são lançados ao nosso satélite natural usando um canhão para propelir uma cápsula em forma balística. Lá encontram uma caverna e alienígenas sedentos por sangue dos invasores hostis.

Esse é considerado o primeiro filme de ficção científica criado e também o primeiro a tratar do assunto alienígenas. Misturando imagens de estúdio e animação em “stop motion”, tornou-se um marco na história do cinema e é reverenciado por todos os amantes da sétima arte.

Eis que parte dessa fabulosa criação ganhou nova vida com uma descoberta feita pela Agência Espacial Japonesa, Jaxa. Uma sondagem do terreno lunar feita por pesquisadores descobriu uma caverna com pelo menos 100 metros de largura e quase 50 quilômetros de extensão. Os dados foram levantados pela sonda Selene, que orbita a Lua. Os cientistas sugerem que a enorme fossa lunar tenha sido resultado de erupções vulcânicas ocorridas durante a formação do nosso satélite natural. A caverna seria um túnel de escoamento de lava formado há 3,5 bilhões de anos, enquanto o interior rochoso do satélite ainda se consolidava.

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Os estudiosos da Lua já consideram o local como ideal para abrigar uma futura e possível colônia científica em solo lunar, o que tornaria os custos da nova expedição bem menores. O próprio solo lunar seria usado para proteger os astronautas da radiação cósmica, raios ultravioleta e da variação extrema de temperatura - que pode variar entre a máxima de 100º e a mínima de -150º celsius. A foto que ilustra a matéria retrata a impressão de um artista contratado pela Agência Espacial Jaxa sobre como seria o gigantesco túnel. Outra grande descoberta feita pela Jaxa é a localização de um cânion com 500 quilômetros de comprimento e mais de 100 metros de largura, dentro do qual pode haver gelo em quantidade suficiente para prover água e combustível na forma de hidrogênio e oxigênio, que seriam usados na exploração como postos de reabastecimento de foguetes. Esse abismo gigante, por sua vez, foi descoberto por outra sonda batizada de Kaguya.

Os planos para retornar à Lua ainda devem demorar para serem levados a cabo.

A missão lunar está programada para acontecer em 2030, como parte do esforço para levar o homem até Marte. Mais uma vez, a vida imita a arte. É claro que os novos exploradores dos mistérios da Lua não devem usar um canhão para chegar até lá, mas entre os fãs de Ciência e de ficção científica já há quem espere ansioso por um encontro entre os astronautas e as criaturas imaginadas por Julio Verne, H.G. Wells e Georges Méliès que habitam o subsolo lunar.