Grande parte dos indivíduos têm o costume de assistir ou ler a Previsão do Tempo para o dia antes de sair de casa. Usar ou não usar um casaco, levar ou não o guarda-chuva, viajar ou não no final de semana; estes podem ser alguns motivos pelos quais alguém consulta as previsões meteorológicas para os próximos dias.

As principais funções destes dados, no entanto, são oferecer suporte ao planejamento agrícola e coletar informações relevantes à previsão e prevenção de desastres, como as enchentes, por exemplo.

No último domingo (26), os especialistas do Centro de Previsão de Tempo e Meteorologia (Cptec) do Inpe, que está localizado em Cachoeira Paulista - a 200 km da capital - comunicaram algo preocupante a respeito do supercomputador Tupã, considerada a maior máquina de previsão climática do país.

Segundo os responsáveis pela manutenção do Tupã, o computador chegou ao chamado ''end of life'', ou final da vida, após sete anos de funcionamento.

Os especialistas explicam que, quando um equipamento atinge o ''end of life'' não há nada que se possa fazer por ele. Significa que mesmo com manutenção constante, a máquina fatalmente parará de funcionar a qualquer momento.

''Se isso acontecer, o Cptec pára'', diz Gilvan Sampaio, chefe de operações do Centro de Previsão de Tempo e Meteorologia. As consequências de uma falha desta proporção no sistema de previsão climática seriam imediatas. Setores ligados a agricultura e a energia seriam diretamente afetados e prejudicados. A prevenção de desastres naturais [VIDEO] também ficaria desfalcada.

Sampaio explica ainda que, sem a máquina, é impossível realizar as previsões meteorológicas.

O chefe de operações do Cptec conta que, há duas semanas atrás, o computador teria queimado no domingo, voltando a funcionar apenas na terça-feira, pois segunda-feira havia sido feriado. O contrato de manutenção do Tupã venceu em outubro deste ano e, por falta de recursos, não foi renovado desde então.

A empresa que se responsabiliza pela manutenção do supercomputador continua prestando este serviço, mesmo sem pagamento, mas apenas em horário comercial. Na terça-feira a qual Sampaio se refere, a previsão climática foi feita com dados do domingo de manhã, ou seja, com informações defasadas e pouco precisas.

O supercomputador Tupã, adquirido em 2010 por cerca de R$ 50 milhões era um dos 30 computadores mais rápidos do mundo, capaz de realizar mais de 250 trilhões de cálculos por segundo. Atualmente, a máquina não chega os top 500 em comparação com outros equipamentos do gênero, mas ainda é a principal ferramenta da meteorologia brasileira.

Sampaio diz que este tipo de máquina deveria ser trocada a cada 4 anos, tempo no qual os computadores ficam obsoletos e perdem valor de mercado. O custo estimado de um equipamento novo fica por volta de R$ 120 milhões. Segundo Sampaio, o Cptec vem solicitando recursos para a compra de um computador novo desde 2014, no entanto, sem sucesso.