Acredite, o seu intestino é o lar de trilhões de microrganismos, com pelo menos 1000 espécies diferentes de bactérias conhecidas até o momento, que nos auxiliam na digestão, produção de vitaminas e no sistema imunológico.

Essa imensa população que habita em nós, conhecida como flora ou microbiota intestinal, é estudada por cientistas no mundo todo. Eles buscam entender como esses seres interagem entre si e conosco, sendo promotores da nossa saúde ou doença.

O que os pesquisadores já sabem, é que grupos de pessoas com doenças apresentam uma comunidade microbiana intestinal menos diversificada do que grupos de indivíduos saudáveis.

A falta de diversidade de espécies de bactérias no ecossistema microbiológico é chamado de disbiose intestinal.

Para compreender os fatores que levam à disbiose, pesquisadores dos Estados Unidos, realizaram um estudo com 81 indivíduos de diferentes pesos (de normal a obeso), que doaram amostras de fezes e preencheram questionários sobre padrões alimentares e condições de saúde.

Com a relação dessas informações, foi descoberto que a atual dieta [VIDEO] “ocidentalizada”, ou seja, com a presença de muitos produtos refinados, industrializados e com poucas fibras, teve um efeito maior na diversidade da microbiota intestinal do que simplesmente o Índice de Massa Corporal – IMC. Segundo os pesquisadores, a alimentação pode ser um fator de desequilíbrio da flora intestinal, independente do peso corporal da pessoa.

Este estudo apoia outros já realizados em diferentes populações ao redor do mundo.

Em grupos como os caçadores-coletores da floresta tropical e os agricultores na República Centro-Africana, por exemplo, que têm dietas e estilos de vida muito diferentes daqueles dos países ocidentalizados, os cientistas observam uma diversidade na microbiota intestinal significativamente maior. Uma vez que os genes da microbiota intestinal destes grupos parecem adaptados ao que eles comem, é possível deduzir que a dieta é o principal contribuinte para a sua maior diversidade microbiana intestinal.

Com mais de 3000 artigos científicos sobre a microbiota intestinal publicados somente no ano de 2016, as pesquisas na área avançam passo a passo na compreensão do papel dessa população bacteriana em diferentes doenças, como por exemplo, obesidade, diabetes tipo 2, anorexia, alzheimer e autismo. Um cenário promissor para a medicina e a nossa qualidade de vida.