Infecções hospitalares, uso inadequado [VIDEO]de equipamentos e enganos na prescrição de remédios fazem com que, entre os brasileiros, ocorram três mortes a cada cinco minutos, o que tirou a vida de 302.610 brasileiros ao longo do ano de 2016. Esses erros, considerados banais, e que no jargão médico são chamados de “eventos adversos”, são a segunda maior causa de morte no país, perdendo apenas para os casos de doenças cardiovasculares, que a cada 23 horas provocam 950 mortes. O relatório foi divulgado ontem, 22, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e os dados foram coletados em hospitais particulares e públicos.

Erros médicos

Renato Couto, [VIDEO] que é um dos autores do relatório intitulado Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar no Brasil, e professor da UFMG, disse à Agência Brasil que não existe sistema de Saúde que possa ser considerado como infalível, e que os eventos adversos atingem até mesmo os hospitais mais avançados.

Se existe diferença, é o caso brasileiro que, apesar dos esforços, não disponibiliza transparência nas informações e, sem clareza sobre a dimensão do problema, não temos como enfrentá-lo.”, declarou. O relatório fica disponível para o público e pode ser acessado por interessados.

Esses erros não resultam, necessariamente, de negligência dos profissionais da área de saúde, e isso é importante frisar. As causas reais do problema, que vão desde ineficientes protocolos de atendimento a clientes, e excessiva carga de trabalho, são muito difíceis de traçar. No mundo todo, 42,7 milhões de pessoas são mortas por ano, devido a erros médicos e, segundo a EBC, nos EUA, são 1.096 mortos, em relação a uma população de aproximadamente 325 milhões de pessoas. A estatística pode ser assustadora, mas não é uma exclusividade do Brasil.

Transparência

Em 2016, foram internados 19,1 milhões de cidadãos brasileiros e, enquanto estavam no hospital, 1,4 milhão deles adquiriram outros problemas, ficando, em média, três vezes mais tempo internados, de acordo com o relatório. No total, R$ 15,57 bilhões foram gastos com os “eventos adversos” em 2016, sendo que, com uma prevenção adequada, R$ 10,9 bilhões desse total poderiam ter sido economizados.

As pessoas com mais de 60 anos e as crianças com idade de até um mês são as vítimas mais frequentes. As ocorrências mais comuns, e que correspondem a 14,7% do total dos casos são as infecções, principalmente urinárias. Muito comuns também os casos de embolia pulmonar, e trombose que, em idosos, são muito comuns no período pós-operatório.

A transparência na área médica é um dos grandes desafios, de acordo com os autores do relatório. Os pacientes que precisam de atendimento (seja ele privado ou público) desconhecem os procedimentos e necessidades para acessar outras instituições de saúde.

“É impossível precisar o volume das infecções hospitalares que foram registradas no ano anterior, e nem precisar qual a média das internações ou de óbitos por diagnóstico”, afirmou o superintendente executivo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), Luiz Augusto Carneiro.

A instituição participou da elaboração do Anuário. “Existe a necessidade eminente de um debate nacional sobre a aferição da qualidade e do desempenho dos serviços prestados pelas empresas na área da saúde e poder melhor selecionar aquele que vai cuidar da nossa saúde e dos nossos familiares.”, confirmou ele.