De acordo com um estudo publicado pelo periódico Neuropsychologia, o fundamentalismo religioso pode estar diretamente relacionado com danos cerebrais.

Para entender um pouco mais a respeito do que a pesquisa sugere, vale esclarecer mais sobre o fundamentalismo religioso: o termo é utilizado para referir-se a uma crença na interpretação literal de livros sagrados, tais como a Bíblia e o Alcorão. São considerados fundamentalistas religiosos, todos aqueles que seguem à risca, e pregam com o mesmo rigor, os dogmas descritos em seus respectivos livros sagrados.

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O estudo a respeito da relação entre este tipo de interpretação da religiosidade e determinadas lesões cerebrais foi comandando pelo neurologista Jordan Grafman, em parceria com pesquisadores da Universidade de Northwestern.

De acordo com a pesquisa de Grafman, pessoas que sofreram lesões em uma determinada área do cérebro, responsável por comandar a capacidade de resolução de problemas e o planejamento estratégico, tendem a ter uma mente menos aberta a novas ideias. Para o neurologista, estas mesmas pessoas poderia estar mais propensas ao fundamentalismo religioso.

Para validação de seu argumento, Grafman e sua equipe de pesquisadores analisaram relatórios médicos de 119 veteranos da Guerra do Vietnã, todos com histórico de lesões no córtex pré-frontal dorsolateral; no final dos anos 60, cerca de 2000 soldados com casos de traumatismo craniano passaram por acompanhamento ao longo dos anos seguintes, para saber qual seriam as consequências dessas lesões em suas vidas. Além dos 119 soldados afetados por alguma destas lesões, foram analisados também 30 soldados sem histórico de lesões.

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O neurologista afirma que as áreas frontais e do lóbulo temporal são responsáveis por minimizar o impacto de ''experiências místicas'' no cérebro humano.

Nos relatórios analisados, cada um dos soldados respondia uma série de perguntas, incluindo informações sobre suas crenças religiosas e a influência das mesmas em suas vidas. Os mesmos soldados também foram analisados de acordo com sua flexibilidade cognitiva, ou seja, a partir do quanto eles pareciam abertos a novas ideias, e de acordo com seu índice de inteligência pessoal.

Com base nesses dados, Grafman concluiu que os soldados que apresentavam lesões cerebrais nas áreas anteriormente apontadas tinham relações complemente diferentes com suas experiências espirituais em relação àqueles que não possuíam histórico de lesões. O neurologista notou que existia uma maior incidência de soldados afetados por ferimentos no córtex pré-frontal dorsolateral com alta religiosidade e baixa flexibilidade cognitiva, o que sugere que as áreas cerebrais citadas tenham, de fato, um papel importante na escolha das crenças de uma pessoa - incluindo a não aceitação de crenças alheias.

Os pesquisadores acharam importante frisar que não consideram o fundamentalismo religioso um problema cerebral. A pesquisa aponta somente que problemas nas regiões cerebrais indicadas podem tornar mudanças de ideias e padrões complicadas, tornando as pessoas portadoras dos mesmos mais conservadoras.

''Precisamos entender o quão distintas são as crenças religiosas das demais crenças em sua representação no cérebro, e a natureza do conhecimento profundo que as pessoas utilizam para acessar suas crenças'', explicou Grafman.

E você, o que pensa sobre o estudo da Universidade de Northwestern?

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