Um novo estudo publicado hoje no Journal of Sexual Medicine informa que as pessoas que fumam mais maconha também têm mais relações íntimas. Não é exatamente claro por que isso acontece, e o estudo pode sugerir apenas uma causalidade [VIDEO]. A questão que fica é, então, o que essa conexão está realmente dizendo? E depois de muito se falar que a maconha e outras drogas leves podem prejudicar a função mais íntima, esse estudo vem provar que, afinal, não será bem assim e que até pode aumentar o número de atos íntimos na vida das pessoas.

A equipe da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, na Califórnia (EUA), analisou dados do estudo do National Survey of Family Growth, um estudo de longo prazo realizado pelo CDC (Centers for Disease Control and Prevention – Centros de Controle e Prevenção de Doenças, em português).

Os participantes, que totalizavam cerca de 50 mil, eram homens e mulheres com uma média de idades de mais de 29 anos.

Os pesquisadores estavam particularmente interessados ​​em duas perguntas. Uma era saber quantas vezes a pessoa teve relações íntimas com um homem ou mulher nas últimas quatro semanas, sendo que o estudo só foi feito para heterossexuais [VIDEO]. A segunda pergunta era saber com que frequência a pessoa havia fumado maconha nos últimos 12 meses.

Essas duas perguntas foram feitas a esses 50 mil participantes, desde 2002. Houve, de fato, um relacionamento entre a atividade íntima e o consumo dessa droga, onde quanto mais maconha uma pessoa fumava, mais atividade no quarto eles tinham. Aqueles que fumavam maconha todos os dias tinham cerca de 20% mais de ‘’ação’’ do que os não fumantes.

Por exemplo, as mulheres que não fumaram maconha no último ano tiveram relações seis vezes, de média, nas quatro semanas anteriores, em comparação com pouco mais de sete vezes para as mulheres que fumaram diariamente.

Os homens que fumaram diariamente tiveram, em média, relações quase sete vezes nas quatro semanas anteriores, em comparação com 5,6 vezes para os não fumantes. Os dados foram ajustados para possíveis variáveis ​​de confusão, como o uso de álcool e drogas mais pesadas, e ainda eram significantes em toda raça, etnia, idade, renda, estado civil e educação.

A questão óbvia é entender porque essa conexão existe. Os pesquisadores dizem que a causalidade não pode ser assumida, uma vez que esta é apenas uma correlação. Mas eles também apontam para várias razões para pensar que pode ser causal. Por exemplo, um estudo anterior descobriu que em ratos que receberam um cannabinoide, o composto ativo na maconha, o comportamento de acasalamento aumentou em 50% dos animais.

No cérebro humano, os receptores cannabinoides são encontrados em áreas que são ativas durante os momentos íntimos de casal. Além disso, uma área do cérebro cuja atividade está ligada à "frequência de coito" também acendeu quando as pessoas usavam maconha e depois apresentavam imagens eróticas.