A primeira pílula digital rastreável acaba de ser aprovada pela Food and Drugs Administration (FDA), agência que regula alimentos e medicamentos nos Estados Unidos.

Parece algo saído da ficção [VIDEO], mas é o começo do que promete ser a era dos ‘medicamentos smart, capazes de permitir controle de informações por meio do smartphone.

A novidade foi batizada de Abilify MyCite. O foco é o tratamento da esquizofrenia e do transtorno da bipolaridade valendo-se do Aipiprazole, um antipiscótico.

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O medicamente já existia. O sensor também, desde 2012. A inovação é a união de ambos.

Funcionamento

O sistema de rastreamento tem um sensor minúsculo, comparado a um grão de areia.

Ele fica dentro da própria pílula e leva na fabricação magnésio, silício e cobre.

O paciente engole o comprimido digital e o ácido do estômago se encarrega de ativar o sensor, de meia hora a duas horas após a ingestão.

Depois, os sinais elétricos desse sensor são transmitidos para um adesivo colado no pele do doente. Este patch registra a hora e a data que o comprimido foi ingerido. Os dados, então, são enviados, em conexão com um aplicativo, para o smartphone. As informações também podem ser repassadas para o médico ou familiares, uma vez que houve consenso com o paciente.

No entanto, os desenvolvedores - Proteus Digital Health e Otsuka Pharmaceutical Co. - não recomendam o Abilify MyCite para controlar a ingestão em tempo real ou durante uma situação emergencial [VIDEO], pois há risco de atraso na detecção ou até mesmo falha.

A administração das pílulas rastreáveis não é permitida em idosos que apresentam psicose ligada à casos de demência. Mas o representante da Food and Drug Administration (FDA), Mitchell Mathis, acredita que a novidade também é válida para pacientes com distúrbios mentais.

A tecnologia foi pauta na CBC News. Confira (em inglês):

Alívio e privacidade

A pílula digital pode representar um alívio. Afinal, os familiares e o médico podem checar se o paciente realmente lembrou de tomar seu remédio ou se anda recusando o tratamento.

Ainda não há estudos comprovando que o smart-comprimido melhora a aceitação do tratamento, a partir dos momento em que os pacientes passam a ser observados.

Para o psiquiatra Paul Appelbaum, da Universidade de Columbia, o sensor deveria ser utilizado apenas para outros tratamentos, não em esquizofrênicos. Estes pacientes podem ter tendências à paranoia com a sensação de serem vigiados por alguém o tempo todo.

Outro problema é que, eventualmente, o paciente pode não querer retornar ao consultório com receio de ser repreendido pelo médico pelo fato de não ter seguido a prescrição corretamente.

No entanto, a autorização da FDA representa uma revolução nos cuidados médicos e que deve se intensificar nos próximos anos através desses medicamentos capazes de permitir o monitoramento total. As futuras aplicações já visam, por exemplo, pacientes diabéticos e cardíacos.

Por tudo isso, os impactos da pílula digital também já começam a levantar questões éticas que dizem respeito à privacidade e aos direitos individuais dos enfermos.