Em meados de 2016, foi iniciado o teste clínico da Fosfoetanolamina sintética no ICESP (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo). Junto com o início deste, também se iniciou uma grande polêmica.

O governo do estado de São Paulo obrigou a equipe médica a incluir auditores que iriam fiscalizar todo trabalho, porém, estes foram completamente deixados de lado, ficando cientes do resultado juntamente com toda a população através de uma coletiva feita pelo médico Paulo Hoff. Nenhum dado deste ensaio clínico foi publicado.

Em tal coletiva, o médico afirmou que o teste não foi como o esperado, que pacientes não obtiveram melhora e apenas 1 paciente com melanoma obteve 30% de redução tumoral.

Foi então que os auditores puderam constatar alguns procedimentos adotados completamente fora dos padrões do desenho clínico aprovado pelo CONEP (Conselho Nacional de Ética e Pesquisa). O principal ponto identificado em tal fiscalização foi que todos os pacientes eram orientados a tomar 3 cápsulas de 500mg no mesmo momento e apenas uma única vez ao dia, quando o correto seria uma cápsula no período da manhã, uma a tarde e uma a noite.

De acordo com Durvanei Maria, biomédico, mestre em imunologia e pesquisador de drogas antineoplásicas há mais de 20 anos pelo Instituto Butantan, a fosfoetanolamina [VIDEO] precisa se juntar a ácidos graxos. O mesmo ainda afirma que nosso organismo produz um número limitado desta substância diariamente e o consumo de 3 cápsulas no mesmo momento faria com que nosso organismo absorvesse apenas uma pequena quantidade, descartando o excesso.

Outro ponto observado pela equipe auditora foi a utilização de pacientes já em estado terminal da doença, quando todos deveriam ter passado por tratamentos convencionais (quimioterapia e radioterapia) sem sucesso. De acordo com publicação no site da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), responsável por liberação de medicamentos no Brasil, na fase 1 só poderia ser utilizado pacientes com a doença caso a substância fosse previamente tóxica, o que não é o caso da fosfoetanolamina [VIDEO] sintética, conforme diversos estudos publicados. Nesta fase, deveriam ser utilizados voluntários sadios.

Com o clamor nas redes sociais de pacientes que entraram na Justiça para conseguirem a fosfoetanolamina [VIDEO] e estão obtendo resultado satisfatório, a ALESP (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) instaurou uma CPI para investigar os dados clínicos e analisar se houve ou não fraude/manipulação nos resultados, tendo em vista que nenhum dado foi publicado ou divulgado pela equipe médica responsável. Caso seja comprovado alguma irregularidade, os envolvidos poderão responder por crime contra saúde pública.

No último dia 7, mais uma reunião na ALESP foi presidida pelo Deputado Federal Roberto Massafera e aprovada a convocação de vários nomes para prestarem esclarecimentos. Uma nova assembleia foi marcada para a próxima semana.