Com o intuito de evitar uma gravidez indesejada, a maioria das mulheres aderiu a algum tipo de método contraceptivo, seja pílula anticoncepcional, dispositivo intrauterino, preservativo ou injeção mensal. De acordo com dados de 2014 da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), cerca de 100 milhões de mulheres usam pílulas anticoncepcionais em todo o mundo.

Mesmo com os benefícios promovidos pelo uso da Pílula, como ajudar mulheres com cólicas menstruais ou sangramento menstrual anormal, redução dos riscos de câncer de ovário, endométrio e colorretal, existem alguns possíveis efeitos colaterais quem têm levado muitas mulheres a abandonarem o comprimido e aderido a outro tipo de proteções contra gravidez.

Um estudo realizado recentemente por cientistas na Dinamarca revelou que quem usa anticoncepcional à base de hormônio tem 20% de chance a mais de desenvolver câncer de mama do que pessoas que não o utilizam. A experiência foi realizada com cerca de 1,8 milhão de mulheres.

Alguns médicos acreditavam que o contraceptivo atual, que é produzido com menos estrogênio que o antigo, causaria menor risco de câncer de mama, teoria que foi barrada pelas recentes informações do estudo dinamarquês divulgado no jornal científico “The New England Journal of Medicine”. O estudo mostrou ainda que a pílula produziu um caso extra de câncer de mama para cada 7.690 mulheres por ano, número considerado bastante elevado.

Além do risco de câncer de mama, a pílula também pode levar às mulheres a um risco maior de trombose venosa, segundo o ginecologista Dráuzio Varella.

Ainda de acordo com o médico brasileiro, a combinação de progesterona com estrogênio, os hormônios que compõem a medicação, pode provocar alterações no sistema de coagulação do sangue, que facilitam a formação de trombos no interior da veia. O médico disse ainda que casos desse tipo são caros, cerca de 1 a cada 1.000 mulheres que tomam o comprimido.

Os estudos médicos não dispensam a busca por pílulas anticoncepcionais que não geram risco de câncer de mama. O médico Roshni Rao, chefe de cirurgia de mama do Columbia University Medical Center, em Nova York (EUA), afirmou que não há dados de estudos que mostrem que as mulheres devam parar de tomar o comprimido, pois, apesar de existirem riscos, a probabilidade é baixa. Mas sugeriu que pessoas que sejam passíveis para aceitarem outros métodos contraceptivos podem aderir ao DIU ou ao uso de camisinha.