Você provavelmente já fez algo assim na sua vida: após bater e enformar a massa do bolo de sua preferência - ou observar alguém fazendo isso - sobra um pouquinho de massa crua na tigela ou na batedeira. Parece gostoso, certo? Pois saiba que comer massa de bolo crua pode fazer mal a sua Saúde.

O problema aqui não vem somente do uso dos ovos crus. Embora os ovos sem cozimento possam conter salmonela, o problema com o consumo de massas cruas está na bactéria E. coli, a responsável pela maior parte dos casos de intoxicação alimentar. Um estudo científico publicado no dia 25 de novembro revelou que esta bactéria, cuja reprodução acreditava-se ocorrer com mais facilidade em ambientes úmidos, parece não ter qualquer problema para reproduzir-se também em ambientes secos.

Acredite: sacos de farinha de trigo podem ser o ambiente ideal.

A descoberta ocorreu depois que um surto de infecções alimentares causadas por uma linhagem específica da bactéria E.coli foi percebido nos Estados Unidos. Entre os meses de dezembro de 2015 e setembro do ano seguinte, 56 pacientes, de 24 estados, relataram febre, diarreia, dor no abdômen e vômitos.

A partir destes dados, um detetive e mais uma equipe de mais de 20 médicos passaram a analisar os casos juntamente com as agências de vigilância sanitária dos EUA. Entrevistas realizadas com os pacientes que relataram os sintomas revelaram que todos tinham hábitos alimentares semelhantes, incluindo o uso de farinha do mesmo fabricante na confecção de biscoitos, bolos e outras guloseimas.

Questionados se tinham o costume de provar a massa crua durante o preparo, todos afirmaram que sim.

Algumas crianças, que também manifestaram a doença, recebiam pedaços de massa crua para brincar quando iam às pizzarias com os pais - algo que também ocorre muito no Brasil.

A farinha em questão, proveniente de uma fábrica em Kansas City, foi analisada pelos cientistas. Amostras revelaram o mesmo tipo de E. coli presente nas fezes dos pacientes afetados, confirmando a conexão entre a massa crua e os casos de infecções alimentares.

Para Marguerite A. Neil, professora da Universidade Brown, que não participou do estudo, mas acompanhou o caso, é incrível que uma substância seca como a farinha, que pode ser armazenada por meses, possa conter este tipo de microrganismo. ''Ele não estraga o alimento em si, mas pode deixar o consumidor doente'', explicou ela.

As análises biológicas realizadas na fábrica de farinha norte-americana revelaram que a contaminação não veio de lá e sim do trigo que foi utilizado como matéria-prima do produto. Como a farinha não pode receber altas temperaturas durante sua fabricação, não há como matar este tipo de bactéria neste processo. O jeito é esperar o bolo assar antes de comer para não ter problemas depois.